Selic alta encarece o financiamento e aquece o aluguel no mercado imobiliário

Juros elevados reduzem o acesso ao financiamento, aumentam a procura por locação e elevam a atenção do consumidor

Em Brasília, o aluguel residencial médio chegou a R$ 51,64 por metro quadrado em fevereiro de 2026. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
V
Victor Gomes

A manutenção da taxa Selic em patamar elevado segue produzindo efeitos diretos sobre o mercado imobiliário brasileiro. Com o crédito mais caro, muitas famílias adiam a compra do imóvel próprio, o que reduz parte da demanda por financiamento e fortalece o mercado de locação. O resultado é um ambiente em que comprar ficou mais difícil, alugar ficou mais disputado e o consumidor passou a precisar de atenção redobrada na hora de fechar contrato.

Na última semana o Compom fez um pequeno corte na Selic, que agora está em 14,75% - nível que ainda encarece o custo do financiamento imobiliário e pesa sobre o orçamento de quem depende do banco para adquirir um imóvel. Na prática, juros altos reduzem o poder de compra das famílias e tornam a prestação mais pesada, o que leva parte dos interessados a postergar a compra e permanecer no aluguel por mais tempo. Esse movimento, por sua vez, pressiona a procura por imóveis para locação e pode elevar os preços, especialmente em regiões com maior demanda e menor oferta disponível. 

O especialista em mercado imobiliário, Daniel Claudino, destaca que a Selic impacta, mas o mercado projeto tendência de queda. "O imóvel é uma decisão de longo prazo, tomada por necessidade, localização e oportunidade. E quem compra hoje com juros altos não necessariamente ficará pagando essa taxa até o fim do contrato. O Banco Central prevê a portabilidade de financiamento imobiliário, o que amplia as opções do consumidor ao longo do tempo", destaca.

Aluguel aquecido
Enquanto isso, o mercado de locação segue aquecido. Em Brasília (DF), o aluguel residencial médio chegou a R$ 51,64 por metro quadrado em fevereiro de 2026, com alta de 10,61% em 12 meses, segundo dados do FipeZap. "Esse movimento reforça a percepção de que a alta dos juros empurra parte da demanda da compra para o aluguel, elevando a pressão sobre os valores cobrados em áreas mais procuradas. O impacto da Selic existe, mas ele não é uniforme nem suficiente sozinho para travar o mercado.

Para investidores, o cenário também exige análise cuidadosa. Embora o aluguel possa parecer um caminho seguro em momentos de juros elevados, a rentabilidade do imóvel depende de fatores como localização, liquidez, custos de manutenção, taxa de vacância e valorização futura. 

O advogado especialista em direito imobiliário, Luiz Miguel Dubal, lembra que as questões jurídicas são essenciais. "É fundamental verificar cláusulas como prazo, reajuste, multa por recisão e responsabilidade. Outro ponto importante é a vistoria do imóvel, fazer fotos registrando os detalhes do imóvel para evitar cobranças indevidas na entrega do imóvel. É sempre muita transparência e orientação profissional para evitar problemas futuros", finaliza.

A combinação entre Selic alta, crédito mais caro e procura crescente por locação ajuda a redesenhar o mercado imobiliário em 2026.