Volatilidade global e risco fiscal no Brasil moldam estratégias de investimento para o segundo semestre
Relatório do Banco Inter aponta manutenção de postura equilibrada diante do corte da Selic para 14,25% e de mudanças na comunicação do Federal Reserve sob nova direção
O mês de junho de 2026 encerrou com um cenário de forte volatilidade nos mercados, marcado por eventos de grande repercussão internacional e local que, no entanto, alteraram pouco os fundamentos econômicos estruturais. Entre os principais fatores de ruído estiveram o conflito e subsequente cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, além de tensões tarifárias entre o Brasil e o governo americano. Diante dessas oscilações e das sinalizações de juros persistentemente elevados no exterior, a equipe de estratégia do Inter reforçou a recomendação de uma alocação de ativos equilibrada e pronta para atravessar diferentes cenários no segundo semestre.
No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou o seu terceiro corte consecutivo, reduzindo a taxa Selic para 14,25% ao ano. As projeções macroeconômicas indicam uma nova redução de 0,25 ponto percentual em agosto, levando a taxa a 14%, com expectativa de encerrar o ano de 2026 em 13,25%. Apesar do recuo gradual dos juros, o prêmio de risco exigido pelos investidores nos contratos longos voltou a subir devido às incertezas fiscais e à inflação ainda acima da meta. O relatório destaca que os gastos públicos cresceram 13% acima da inflação nos primeiros cinco meses do ano devido a despesas com previdência e pessoal em um contexto de antecipação eleitoral, o que deve levar o déficit primário a fechar próximo de 0,6% do PIB.
No âmbito internacional, as atenções se voltaram para a primeira reunião do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh. O banco central americano optou por manter as taxas de juros inalteradas, mas introduziu uma reformulação em sua comunicação, sinalizando que o mandato de controle da inflação passou a se sobrepor às metas de emprego no curto prazo. Paralelamente, Warsh anunciou cinco forças-tarefas voltadas para revisar as estratégias de comunicação, o balanço contábil e o uso de dados macroeconômicos alternativos. O Inter mantém a perspectiva de estabilidade nos juros americanos até dezembro de 2026, encontrando um alívio temporário na recente queda das cotações do petróleo para o patamar de US$ 70 por barril após a normalização das tensões energéticas.
Em meio às análises financeiras e projeções econômicas, o clima de otimismo também encontrou espaço fora das planilhas de mercado. O relatório registrou em tom descontraído o desempenho da Seleção Brasileira de futebol masculino, que garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo após derrotar o Japão de virada por 2 a 1, com gols anotados por Casemiro e Martinelli. O próximo confronto do Brasil está agendado para o domingo em Nova Jersey, contra a seleção da Noruega. A partida ocorrerá no mesmo estádio selecionado para abrigar a grande final da competição, marcada para o dia 19 de julho, alimentando as discussões em torno de um possível hexacampeonato mundial.