Varejo do Distrito Federal registra queda de 6,3% em fevereiro, aponta Índice do Varejo Stone

Resultado posiciona o DF como o terceiro estado com o pior desempenho do país

Resultado posiciona o DF como o terceiro estado com o pior desempenho do país. Foto: Agência Brasil
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Victor Gomes

O varejo do Distrito Federal registrou queda de 6,3% nas vendas em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a 38ª edição do Índice do Varejo Stone (IVS). O resultado posiciona o DF como o terceiro estado com o pior desempenho do país no período, reforçando um cenário de desaceleração do consumo na capital federal.

Com base em dados de milhões de estabelecimentos parceiros da Stone em todo o país, o indicador aponta que, mesmo com alguma moderação na inflação, o consumidor do Distrito Federal vem adotando postura mais cautelosa, especialmente em compras de bens duráveis e viagens. O resultado também reflete pressões como juros ainda elevados, maior encargo da renda com dívidas e menor capacidade de endividamento, fatos que pesam diretamente sobre o fluxo de caixa do comércio local.

Enquanto sete estados registraram aumento nas vendas – com destaque para Acre, Roraima e Amapá –, o DF segue na contramão, com queda expressiva e recorrente em comparações anuais. Para o setor, o sinal de alerta é claro: empresas precisam ajustar estoques, reforçar estratégias de fidelização e buscar alternativas de crédito mais acessíveis para não agravar o risco de perda de receita ao longo do ano.

Para Guilherme Freitas, os resultados regionais de fevereiro mostram um cenário mais heterogêneo para o varejo brasileiro, com alguns estados apresentando crescimento, mas ainda com quedas relevantes em parte importante do país. “O relatório mostra que, embora alguns estados tenham conseguido registrar avanço nas vendas, o movimento de desaceleração do consumo ainda é predominante. Observamos desempenhos positivos principalmente em parte da região Norte, enquanto estados do Sudeste e do Sul registraram mais retrações intensas. Esse quadro reforça que o ambiente de crédito mais restritivo e o nível elevado de endividamento das famílias continuam limitando o ritmo de recuperação do consumo em diversas regiões do país”, avalia.

No recorte mensal, todos os oito segmentos analisados apresentaram retração em fevereiro. A maior queda foi registrada em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (17,9%), seguida por Combustíveis e Lubrificantes (6,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (5,3%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (3,3%), Móveis e Eletrodomésticos (3,2%), Material de Construção (2,8%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (2,3%) e Artigos Farmacêuticos (1,6%).

Sobre o IVS
O Índice do Varejo Stone acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país com o objetivo de mapear os dados de pequenos, médios e grandes varejistas e divulgar um retrato do setor nacional, que pode orientar estratégias empresariais e decisões de investimento, fornecendo insights valiosos sobre o ambiente econômico. O estudo tem como base a metodologia proposta pelo time de Consumer Finance do Federal Reserve Board (FED), que idealizou um modelo de indicador econômico similar nos Estados Unidos. São consideradas as operações via cartões, voucher e Pix dentro do grupo StoneCo.