União Europeia veta importação de carne brasileira; prejuízo pode chegar a quase US$ 2 bilhões por ano

Bloco aponta falta de documentação sobre uso de medicamentos veterinários; embargo entra em vigor em 3 de setembro e atinge bovinos, aves e derivados

União Europeia veta importação de carne brasileira. Foto: Wenderson Araujo/CNA
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Poder da Capital

A União Europeia anunciou a proibição das importações de carne brasileira — incluindo cortes bovinos, frango e derivados — sob a justificativa de que o Brasil não apresentou documentação suficiente que comprove o cumprimento das regras sanitárias do bloco sobre medicamentos usados no combate a bactérias, vírus e parasitas na pecuária. A medida, que passa a valer em 3 de setembro, pode causar uma perda estimada em quase US$ 2 bilhões por ano para o setor brasileiro, segundo projeções divulgadas por entidades do comércio exterior.

De acordo com o comunicado europeu, a decisão se baseia na avaliação de que os registros e certificados apresentados pelo Brasil não comprovam a autorização e o controle do uso de substâncias veterinárias exigidas pelas normas da União Europeia. Em consequência, todas as permissões concedidas em 2024 para exportação de carne e derivados de boi, frango e cavalo foram suspensas.

O impacto direto sobre as exportações brasileiras deve ser moderado em termos de participação relativa: o bloco responde por menos de 4% das vendas externas de carne bovina do País. Ainda assim, analistas do setor alertam para efeitos indiretos, como perda de mercados de alto valor agregado, volatilidade de preços e repercussões na imagem internacional da carne brasileira.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o ministro Mauro Vieira já se reuniu com o comissário de Comércio da União Europeia em busca de reverter a decisão, apresentando documentação complementar e propondo canais técnicos para esclarecer pontos pendentes. Fontes diplomáticas afirmam que as negociações seguirão em caráter urgente nas próximas semanas, com foco em demonstrar conformidade e restabelecer os fluxos comerciais.

Enquanto o Brasil enfrenta o embargo, outros países do Mercosul — entre eles Argentina, Paraguai e Uruguai — permanecem autorizados a exportar para a União Europeia, segundo a decisão do bloco. Produtores e exportadores brasileiros avaliam estratégias alternativas, como redirecionamento de parte das exportações para mercados asiáticos e do Oriente Médio, além de esforços para acelerar a regularização documental junto às autoridades europeias.

Representantes do setor pecuário pedem ainda que o governo brasileiro intensifique a articulação técnica e diplomática para resolver os pontos apontados pelo bloco e minimizar prejuízos. O calendário das medidas e as possíveis exceções comerciais ainda dependem das futuras rodadas de diálogo entre autoridades sanitárias e comerciais dos dois lados.