Tesouro Nacional revisa parâmetros da Dívida Pública para 2026 e amplia espaço para títulos atrelados à Selic
Diante da volatilidade global, tensões geopolíticas e juros altos, órgão ajusta limites do Plano Anual de Financiamento para refletir a maior demanda por papéis pós-fixados de menor prazo
A Secretaria do Tesouro Nacional anunciou a revisão dos limites de referência para a composição da Dívida Pública Federal (DPF) estabelecidos no Plano Anual de Financiamento (PAF) para o exercício de 2026. A atualização traz como principal destaque a elevação na participação dos títulos com remuneração flutuante — atrelados à taxa Selic —, acompanhada de uma redução no espaço destinado aos papéis prefixados e àqueles indexados à inflação (IPCA).
Segundo o Tesouro, o aumento da fatia de títulos atrelados à Selic decorre do atual cenário econômico, caracterizado por juros elevados e forte volatilidade nos mercados. Essas condições têm levado os investidores a buscar instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às variações das taxas de juros, concentrando a demanda nos papéis pós-fixados e favorecendo sua emissão pelo governo.
O órgão ressaltou ainda que a persistência das incertezas no cenário doméstico e internacional, com ênfase nos impactos das tensões geopolíticas sobre o mercado financeiro global, tem mantido os prêmios de risco em patamares elevados. Esse ambiente desfavorável para a colocação de títulos de longo prazo e com taxas prefixadas tornou necessária a adequação das metas à realidade da composição da dívida e às condições de mercado.
De acordo com o comunicado da Subsecretaria da Dívida Pública (SUDIP), a revisão das faixas de referência tem como objetivos fundamentais garantir a viabilidade da estratégia de financiamento público, assegurar maior transparência aos parâmetros oficiais e preservar o funcionamento regular do mercado de títulos públicos.
