Tesouro faz intervenção e recompra mais de R$ 43 bi em títulos públicos

Guerra do Irã trouxe impacto aos títulos públicos atrelados à inflação

Guerra do Irã trouxe impacto aos títulos públicos atrelados à inflação
Guerra do Irã trouxe impacto aos títulos públicos atrelados à inflação
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Poder da Capital

O Tesouro Nacional realizou novas recompras de títulos públicos nesta terça-feira (17), em uma tentativa de conter a escalada dos juros futuros diante do aumento das incertezas globais e domésticas. A guerra causou um choque de volatilidade nos mercados mundiais, aumentando a incerteza sobre inflação e políticas monetárias, inclusive no Brasil. Isso elevou os preços do petróleo, afetando as expectativas inflacionárias.

"Em meio a instabilidade e caos gerado pela Guerra do Irã, o Tesouro Nacional faz atuação corajosa, ágil e precisa, cancelando os leilões do cronograma da semana e anunciando leilões extraordinários de recompra de títulos, tirando risco e pressão das curvas", avalia o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares.

Segundo a análise da BGC, a guerra no Irã bagunçou os mercados do mundo todo, criando medo de mais inflação e mexendo nas regras de juros de vários países, como o Brasil. Os títulos NTN-B (que seguem a inflação) subiram muito em março de 2026: em média 0,5% nos prazos médios (2028-2035), com o de 2030 sofrendo mais.

Com as operações mais recentes, a atuação do Tesouro alcançou R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, configurando a maior intervenção no mercado em mais de uma década. O volume supera, em termos nominais, as ações adotadas durante a pandemia de covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.

Levantamentos de mercado indicam que a magnitude atual também supera episódios de estresse como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.

As recompras buscam reduzir a volatilidade na curva de juros, referência para expectativas sobre a Taxa Selic. A alta recente das taxas foi impulsionada pelo avanço do conflito no Irã e pela elevação dos preços do petróleo, fatores que aumentam o risco inflacionário.