Tesouro Direto bate recorde para meses de abril e encosta em R$ 242 bilhões em estoque

Vendas somaram R$ 8,55 bilhões no mês; busca por títulos atrelados à Selic e à inflação disparou com juros a 14,5% ao ano

Tesouro Direto bate recorde para meses de abril. Foto: José Cruz/Agência Brasil
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Poder da Capital

As vendas de títulos públicos para pessoas físicas pela internet alcançaram um marco histórico. O Tesouro Direto registrou R$ 8,55 bilhões em aplicações em abril, o maior volume já registrado para o mês na história do programa. O resultado representa um avanço de 20,6% na comparação com abril do ano passado.

Na comparação com março, no entanto, houve um recuo de 42,2%. Essa queda mensal já era esperada: em março, o Tesouro havia batido o recorde histórico absoluto (R$ 14,79 bilhões) por conta de um volume gigante de R$ 7,07 bilhões em papéis que venceram e foram reinvestidos pelos próprios aplicadores. Como esse movimento não se repetiu em abril, o ritmo voltou ao normal.

O principal motor dos investimentos continua sendo o cenário de juros elevados. Com a taxa Selic atualmente em 14,5% ao ano — um salto considerável frente aos 10,5% praticados até setembro de 2024 —, os papéis pós-fixados viraram os queridinhos do mercado.

Os títulos atrelados aos juros básicos lideraram disparado a preferência dos investidores, abocanhando 55,4% de tudo o que foi vendido.

Logo atrás vieram os papéis corrigidos pela inflação (IPCA), com 24% do total, impulsionados pelo temor do mercado de que os preços subam nos próximos meses. Os prefixados (com taxa fechada no momento da compra) responderam por 13,1%.

Títulos temáticos ainda buscam espaço
Os novos produtos focados em ciclos de vida longa ainda registram fatias modestas do bolo:

- Tesouro Renda+ (voltado para a aposentadoria): concentrou 4,9% das vendas.

- Tesouro Educa+ (poupança para o ensino superior): atraiu apenas 1,9% do total.

Com a combinação de novos aportes e a forte rentabilidade gerada pelos juros altos, o estoque total acumulado do Tesouro Direto chegou a R$ 242,26 bilhões ao final de abril.

O bolo cresceu 3,34% em apenas um mês e impressionantes 41,99% em relação a abril do ano passado, quando estava em R$ 170,86 bilhões. No mês passado, os investidores colocaram R$ 5,16 bilhões a mais do que retiraram (resgates) do programa.