TCU aponta risco fiscal no plano reestruturação dos Correios

Governo terá 120 dias para criar mecanismos de monitoramento sobre os aportes previstos

Governo terá 120 dias para criar mecanismos de monitoramento sobre os aportes previstos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Victor Gomes

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que o governo federal deverá apresentar em 120 dias mecanismos para o monitoramento dos aportes previstos no plano de reestruturação dos Correios. Entre os pontos previstos estão relatórios periódicos detalhados mostrando andamento da recuperação, metas de desempenho, resultados financeiros e alternativas caso não funcione.

A decisão foi tomada no julgamento que analisa o empréstimo contratado pela estatal no fim do ano passado com garantia da União. O valor é de R$ 12 bilhões e caso os Correios não paguem a dívida, o governo poderá ser obrigado a assumir o compromisso. A preocupação do TCU é que o modelo possa ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O relator do processo é o ministro Benjamin Zymler, que alertou que o governo não fez uma avaliação detalhada das projeções financeiras apresentadas pela empresa para fazer a operação financeira. 

Oficialmente, os Correios não dependem de recursos do orçamento da União para o funcionamento, mas este é justamente um ponto criticado pela Corte de Contas, pois no entendimento do TCU, a partir do momento do reconhecimento da dívida e do empréstimo, a empresa deveria não ser mais enquadrada como estatal "não dependente". O Tribunal ainda destacou que a empresa acumula passivos elevados e problemas contábeis considerados relevantes.