Setor de serviços recua 1,2% em março, mas mantém crescimento no acumulado de 12 meses

Apesar da retração mensal generalizada, o setor registra o 24º resultado positivo consecutivo na comparação anual, impulsionado pelo segmento de tecnologia

Setor de serviços recua 1,2% em março, mas mantém crescimento no acumulado de 12 meses. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Setor de serviços recua 1,2% em março, mas mantém crescimento no acumulado de 12 meses. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Poder da Capital

O setor de serviços brasileiro apresentou uma retração de 1,2% em março de 2026 na comparação com o mês anterior, interrompendo a estabilidade verificada em fevereiro. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada hoje pelo IBGE, o recuo foi disseminado por todas as cinco atividades investigadas. O segmento de transportes exerceu a maior pressão negativa sobre o índice, registrando uma queda de 1,7% no período, enquanto as atividades turísticas sofreram um recuo ainda mais acentuado, de 6,1%.

“Nos últimos 5 meses, foram observados um mês de estabilidade e 4 meses de variação negativa, o que faz com que o setor de serviços acumule queda de 1,7% desde outubro de 2025, mês em que foi observado o ponto mais alto da série. Setorialmente, todas as 5 atividades investigadas mostraram queda na comparação com o mês imediatamente anterior. O setor de transportes foi o principal responsável pela queda observada no Brasil neste tipo de comparação. O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros”, explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.

Em contrapartida, quando observado o horizonte de longo prazo, o cenário permanece resiliente. No Distrito Federal, o volume de serviços registrou uma expansão de 3,0% em relação a março de 2025, marcando o seu 24º mês seguido de crescimento anual. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor ostenta uma alta de 8,5%, consolidando uma trajetória de recuperação e sustentação econômica, apesar das oscilações conjunturais verificadas no fechamento do primeiro trimestre.

Os dados detalhados revelam que o grupo de Serviços de Informação e Comunicação foi o grande motor do desempenho anual, com um salto expressivo de 31,6% em comparação a março do ano passado. Outros setores também mostraram fôlego, como os serviços prestados às famílias (8,3%) e os serviços profissionais e administrativos (8,1%). Essa divergência entre a queda mensal e a alta anual sugere um ajuste pontual após períodos de forte atividade, sem comprometer a tendência de alta estrutural.

No que diz respeito ao faturamento, a Receita Nominal de serviços apresentou indicadores robustos, com um aumento de 9,6% frente ao mês anterior e uma disparada de 22,2% em relação a março de 2025. Esses números refletem não apenas o volume de operações, mas também o ajuste de preços e o valor agregado nos contratos de serviços. O acumulado do ano fechou o período com alta de 11,2%, indicando que, embora o ritmo de março tenha sido mais lento, o setor segue como um pilar central para o PIB nacional em 2026.