Selic em 13,75% mantém crédito caro e amplia cautela com a inflação até 2027

Decisão do Banco Central tenta conter alta de preços e risco fiscal, mas prolonga aperto financeiro para famílias e empresas

Selic em 13,75% mantém crédito caro. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Selic em 13,75% mantém crédito caro. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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Victor Gomes

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano reforça um cenário de cautela prolongada para a economia brasileira. Embora a atividade econômica venha perdendo fôlego, o que em tese abriria caminho para o alívio nas taxas, as pressões sobre o orçamento público e a alta persistente nos preços de serviços impedem o início de cortes imediatos. Para analistas de mercado, o movimento do Banco Central era esperado diante das incertezas internas e externas.

Segundo Valdir Piran Jr., CEO do Intra, a manutenção dos juros foi coerente com o momento atual. "A atividade perde força e abre espaço para juros menores, mas a resistência da inflação de serviços, o câmbio e o cenário fiscal justificam cautela. A pausa não significa necessariamente o fim do ciclo. Para empresas e consumidores, isso prolonga um período de financiamento caro", afirma Piran Jr. Ele alerta ainda que companhias mais endividadas devem continuar enfrentando limites reduzidos de crédito, juros elevados e barreiras para refinanciar compromissos financeiros.

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No dia a dia, a taxa mantida em patamar elevado encarece empréstimos, freia o consumo das famílias e congela novos projetos produtivos. Além disso, mesmo com os juros altos no Brasil, a moeda americana tem operado próxima de R$ 5,50, evidenciando a desconfiança de investidores em relação à trajetória fiscal do país.

De acordo com Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a taxa em 13,75% não foi suficiente para blindar o câmbio.
"Quando investidores percebem maior risco na trajetória das contas públicas, podem exigir mais retorno para manter recursos no país, pressionando a moeda mesmo com juros elevados", explica Murad. O consultor pontua também que os juros entre 3,75% e 4% nos Estados Unidos aumentam o apetite global por ativos em dólar, exigindo ainda mais atenção de quem administra investimentos. "Na gestão patrimonial, a decisão preserva o retorno nominal dos pós-fixados, mas não elimina a exposição cambial dos ativos brasileiros."

Para a próxima reunião do Copom, em dezembro, os especialistas convergem na aposta de estabilidade da taxa, a menos que ocorra uma mudança expressiva no comportamento da inflação ou na cotação do dólar. As projeções de longo prazo também indicam que a trajetória de queda deve ser lenta. Valdir Piran Jr. prevê a Selic próxima de 12,5% ao fim de 2027, enquanto Fábio Murad projeta a taxa em 12,75% no mesmo período. Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ambos estimam uma inflação ao redor de 4,8% para o fechamento de 2027, confirmando que o controle dos preços e o equilíbrio das contas públicas continuarão ditando o ritmo dos juros nos próximos anos.