Selic cai, mas inadimplência empresarial bate recorde
Brasil registra 9,2 milhões de empresas negativadas; mesmo após novo corte da taxa básica de juros
O corte de juros de setembro foi o quinto consecutivo, em um ciclo que já reduziu a taxa básica em 1,25 ponto percentual desde março. No entanto, os indicadores de inadimplência das empresas ainda preocupam. Segundo a Serasa Experian, 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes em julho, maior número da série histórica, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. O dado mais recente representa uma alta em relação aos 9,1 milhões de CNPJs negativados registrados em junho.
Na última semana, o Banco Central reduziu novamente a taxa Selic, que passou de 14% para 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada no dia 16 de setembro. Apesar da flexibilização da política monetária brasileira, o custo do crédito continua sendo um desafio para as empresas brasileiras, que bateram recorde de inadimplência.
É por conta deste cenário que o professor Fernando Eduardo Cardoso, coordenador do curso de Administração da UNIASSELVI, faz um alerta: "nem sempre lucrar mais e crescer significa um CNPJ saudável financeiramente".
Os números ajudam a evidenciar um paradoxo que gestores brasileiros vêm enfrentando: uma empresa pode aumentar as vendas, apresentar lucro e, ainda assim, enfrentar dificuldade para pagar fornecedores, funcionários, impostos e outros compromissos. Isso acontece porque lucro é diferente de dinheiro efetivamente disponível no caixa.
A situação pode parecer contraditória, mas o próprio crescimento é capaz de aumentar a pressão financeira. “O crescimento pode esconder um paradoxo. Quanto mais a empresa vende, maior pode ser sua necessidade de capital de giro. Crescer sem planejamento financeiro aumenta a pressão sobre o caixa”, afirma Fernando Eduardo Cardoso.
O mesmo cuidado vale para o saldo bancário. Ter dinheiro disponível na conta em determinado momento não revela compromissos que vencerão nos dias seguintes, recebimentos previstos, nível de endividamento ou a necessidade de capital de giro. “O saldo bancário mostra uma fotografia do momento. A gestão financeira precisa assistir ao filme inteiro. Decidir apenas pelo dinheiro disponível na conta significa enxergar apenas uma pequena parte da realidade financeira da empresa”, finaliza o professor.
