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Seis em cada dez empresários de bares e restaurantes afirmam não estar preparados para as mudanças da reforma tributária

Levantamento da Abrasel aponta que 44% dos comerciantes se consideram pouco preparados para mudanças nas regras de tributação

Levantamento da Abrasel aponta que 44% dos comerciantes se consideram pouco preparados para a Reforma Tributária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Victor Gomes

Seis em cada dez empresários de bares e restaurantes afirmam não estar preparados para as mudanças da reforma tributária. Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), associação que representa o setor, quase 44% se consideram pouco preparados e 17% dizem não ter qualquer preparação.

As novas regras começaram a entrar em vigor em janeiro deste ano, ainda em fase de testes. Entre as principais dúvidas estão os impactos da reforma sobre preços e margens de lucro e o funcionamento dos novos tributos, que agora passam a ser o  Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Os empresários também têm dúvidas sobre a redução de 40% da alíquota prevista para o setor, o aproveitamento de créditos tributários e o recolhimento automático dos impostos no momento da venda.

O Diretor do Instituto de Direito Tributário Contemporâneo, Luiz Carlos Junqueira, chama a atenção para os impactos das novas regras na relação entre fornecedores e estabelecimentos. "O crédito da CBS está condicionado ao pagamento prévio desse imposto pelo fornecedor. Se o bar e restaurante não puder tomar crédito por que o fornecedor na cadeia anterior sonegou ou deixou de pagar de alguma forma, esse ônus é repassado para o comerciante", afirma.

A preocupação é ainda maior entre os optantes pelo Simples Nacional, que representam mais de 70% dos entrevistados. Apenas 10% desse grupo afirmam estar se preparando ativamente para a antecipação da escolha do regime tributário, prevista para setembro.

O proprietário de uma lanchonete no Distrito Federal, Victor Travassos, tem preocupação para não repassar aumentos aos clientes. "A gente começou a acompanhar as mudanças, principalmente junto à contabilidade. E a nossa maior preocupação do impacto no preço final. Nosso setor já trabalha com custos altos, então qualquer aumento precisa ser bem administrado", comentou.

O levantamento da Abrasel ouviu 1.480 empresários de bares, restaurantes, padarias, lanchonetes, pizzarias, cafeterias e outros estabelecimentos durante o mês de julho, em todas as regiões do país.