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Santander aponta corte iminente da Selic e reforça estratégia defensiva com diversificação para setembro

Em meio a incertezas fiscais no Brasil e volatilidade nas bolsas internacionais, relatório recomenda foco em papéis pós-fixados, proteção contra a inflação e cautela com ativos de risco

Santander aponta corte iminente da Selic. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Santander aponta corte iminente da Selic. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Victor Gomes

O cenário macroeconômico brasileiro caminha para uma nova etapa de flexibilização monetária. De acordo com o relatório mensal de recomendações de investimentos de setembro de 2026 elaborado pelo time de Strategic Investment Advisory do Santander, a probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) aplicar uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic subiu de 81% para 87% no fim de agosto. O movimento, se concretizado, levará o juro básico da economia para 13,75% ao ano.

A perspectiva de corte ganhou força após a surpresa do IPCA-15 de agosto, que registrou deflação de 0,40% e reduziu o índice acumulado em 12 meses para 4,2%. Esse dado se somou a sinais claros de moderação da atividade produtiva local, como o recuo de 1,8% na produção industrial e a queda de 0,6% no IBC-Br de junho. Contudo, a instituição projeta que o Banco Central deve adotar uma pausa no ciclo logo após essa decisão, já que a persistência das incertezas fiscais e as expectativas de inflação de longo prazo continuam servindo como barreiras para reduções mais acentuadas. Para 2026, as projeções do banco indicam Selic em 13,75%, inflação de 4,9%, expansão do PIB de 1,8% e câmbio cotado a R$ 5,40.

No front externo, o ambiente permanece marcado por tensões e oscilações nos preços dos ativos. O mercado de petróleo operou com forte oscilação motivada pelo quadro geopolítico, com o barril de Brent transitando entre 80 e 90 dólares antes de estabilizar próximo a 87 dólares. Nos Estados Unidos, o relatório de emprego de julho registrou o corte inesperado de 23 mil postos de trabalho, enquanto os rendimentos dos títulos públicos de 30 anos alcançaram patamares não vistos desde 2007. Esse salto nos juros longos americanos decorre das preocupações fiscais com o governo dos Estados Unidos e da ampla oferta de dívida privada atrelada a investimentos na indústria de inteligência artificial, o que levou o Tesouro norte-americano a duplicar o volume de recompras de papéis.

Esse contexto de maior aversão global ao risco e pressões fiscais domésticas pesou diretamente sobre o mercado de capitais no Brasil. O Ibovespa recuou 1,92% em agosto até o dia 26, sofrendo com uma saída expressiva de recursos estrangeiros. O índice, contudo, ainda sustentava ganhos de 8,35% no acumulado de 2026. Em contrapartida, os índices acionários internacionais renovaram máximas históricas impulsionados por balanços corporativos robustos, embora os setores de tecnologia e semicondutores tenham sofrido realização e volatilidade nas últimas semanas do mês.

Diante desse panorama, o banco sugere que os investidores mantenham uma alocação equilibrada e defensiva, estruturada em diferentes prazos e finalidades financeiras. Entre os ativos de renda fixa, os títulos pós-fixados continuam desempenhando papel central nas carteiras ao aliar liquidez e retorno elevado, sem sofrer com as flutuações da marcação a mercado. Já os títulos indexados à inflação (IPCA+) são indicados para prazos intermediários e longos devido aos prêmios reais ainda atrativos e à salvaguarda do poder de compra.

Para a classe de multimercados, o banco optou por reduzir marginalmente a alocação diante do aumento do risco de posições direcionais e da dispersão entre os gestores. Na renda variável local, a recomendação preconiza cautela e seletividade rígida, priorizando empresas consolidadas, com balanços sólidos e capacidade de gerar caixa com juros altos. Por fim, ouro e exposição cambial permanecem indicados como componentes de proteção e preservação patrimonial em meio às incertezas globais.