Rotativo do cartão de crédito é o principal inimigo do bolso dos brasileiros
Dados do Banco Central apontam taxa de 435,9% ao ano
Com o rotativo do cartão de crédito como o principal vilão, o Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (30), as Estatísticas Monetárias e de Crédito. O levantamento aponta que a taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu para as famílias em fevereiro, e o cartão de crédito rotativo foi o que mais pesou no orçamento doméstico.
O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito. Ou seja, contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor que não conseguiu quitar.
Segundo o BC, a taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas teve alta de 1 ponto percentual (p.p.) no mês e de 5,4 p.p. em 12 meses, chegando a 62% ao ano. Em fevereiro, o avanço foi de 11,4 p.p. na taxa do cartão de crédito rotativo, chegando a 435,9% ao ano. A modalidade é uma das mais altas do mercado.
Nas alturas
A alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, definida em 14,75% ao ano, de acordo com a última redução realizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle.
O Boletim Focus desta semana destaca que o mercado financeiro elevou a previsão da inflação para 4,31% neste ano. Para o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Com isso, é pé no freio e cinto bem apertado, de acordo com o mercado.