Recorde de recuperações judiciais explica a crise das empresas em 2026

Alta histórica de companhias em reestruturação expõe mudança estrutural no ambiente de negócios

Alta histórica de companhias em reestruturação expõe mudança estrutural no ambiente de negócios
Alta histórica de companhias em reestruturação expõe mudança estrutural no ambiente de negócios
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Poder da Capital

O Brasil entrou em 2026 com um dado que chama a atenção no mercado: o número de empresas em recuperação judicial atingiu o maior patamar da série recente. Ao final de 2025, eram cerca de 5,6 mil companhias em processo de reestruturação, um crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior e reflexo direto de um ambiente econômico mais pressionado.

Crédito mais caro, aumento da inadimplência, oscilações de demanda e custos operacionais elevados passaram a compor um cenário mais complexo, o que sido um desafio ainda maior para os gestores. Para o especialista em direito empresarial. Assis Camargo Costa Neto, o fenômeno é resultado de uma combinação de fatores econômicos e falhas na adaptação das empresas a esse novo contexto. “O que estamos vendo não é apenas uma crise isolada, mas um ambiente mais exigente para as empresas. Margens mais apertadas, dificuldades de acesso a crédito e mudanças no comportamento de consumo pressionam negócios que, muitas vezes, já operavam com fragilidades”, afirma.

Agro
O agronegócio, historicamente visto como um dos pilares mais resilientes do país, passou a figurar entre os segmentos com maior número de pedidos. Ao longo de 2025, quase 2 mil solicitações de recuperação judicial foram registradas na cadeia do agronegócio, evidenciando que nem mesmo setores tradicionalmente sólidos estão imunes ao atual cenário.

Na avaliação de Assis Camargo, há também uma mudança relevante na forma como a recuperação judicial é utilizada no Brasil. “A recuperação judicial vem sendo utilizada de forma mais estratégica por parte das empresas, como uma ferramenta de reorganização e preservação da atividade econômica antes que a situação se torne irreversível”, explica.

Com um cenário econômico que ainda impõe desafios e a perspectiva de manutenção de crédito restrito ao longo de 2026, a tendência é de que os pedidos sigam em alta. “Mais do que um mecanismo de sobrevivência, a recuperação judicial é um instrumento estratégico, mas que exige preparo, disciplina e gestão profissional para gerar resultados concretos”, conclui o especialista.