Receita volta a crescer e melhora perspectivas para a meta fiscal de 2026, diz Itaú

Banco alerta que o cumprimento da meta ainda depende do cenário internacional e dos preços do petróleo

Os governos regionais tiveram superávit de R$ 13,7 bi, segundo o Itaú. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Os governos regionais tiveram superávit de R$ 13,7 bi, segundo o Itaú. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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Victor Gomes

A arrecadação do governo federal voltou a ganhar fôlego nos primeiros meses de 2026, depois de um período de fraqueza registrado na segunda metade de 2025. Segundo análise do Itaú, as receitas mostram desempenho robusto, impulsionadas principalmente pela retomada da atividade econômica e pela alta nos repasses relacionados ao setor de petróleo.

"O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 16,4 bi em fevereiro, próximo a nossa expectativa de um déficit de R$ 16,9 bi. O governo central registrou déficit de R$ 30,0 bi, conforme reportado pelo Tesouro, pior que a nossa expectativa de um déficit de R$ 28,0 bi. Na definição do BC (abaixo da linha), o governo central registrou déficit de R$ 29,5 bi", destaca a análise.

Em contrapartida, as despesas públicas seguem pressionadas, o que mantém o desafio de equilibrar as contas públicas. O banco destacou que, em fevereiro, o principal fator de surpresa veio das transferências de receitas para Estados e Municípios, que reduziram o caixa do governo central, mas beneficiaram os entes regionais.

Com essa dinâmica, o Itaú passou a projetar um déficit primário de 0,5% do PIB em 2026, uma melhora em relação à estimativa anterior de 0,8%. A revisão reflete uma maior arrecadação ligada ao petróleo e a expectativa de uso parcial do espaço fiscal criado por uma possível contenção temporária dos preços dos combustíveis – medida ainda sem formato definido pelo governo.

Mesmo com a melhora nas projeções, o banco ressalta que o cumprimento da meta de déficit de até 0,5% do PIB ainda depende de variáveis externas, como o comportamento dos preços internacionais do petróleo, e internas, como o respeito às regras do novo arcabouço fiscal. O cenário, avalia o Itaú, indica que o governo está próximo de atingir o objetivo, mas a execução fiscal ao longo do ano será decisiva para consolidar o resultado.