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Quinto corte consecutivo da Selic para 13,75% expõe cautela do Banco Central diante de pressões externas

Desaceleração da atividade econômica interna e alívio nos preços justificam alívio monetário, mas postura dura do Federal Reserve nos Estados Unidos limita espaço para novas reduções

Quinto corte seguido da Selic pode ser o último. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Quinto corte seguido da Selic pode ser o último. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Victor Gomes

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano marca o quinto corte consecutivo no atual ciclo de flexibilização monetária, mas acende alertas sobre os limites do afrouxamento. Embora a perda de fôlego da atividade doméstica e o comportamento favorável dos índices de preços recentes ofereçam suporte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a deterioração das condições financeiras globais passou a ditar o ritmo da autoridade monetária brasileira.

No centro das preocupações externas está a conduta do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que elevou recentemente os juros norte-americanos para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A sinalização de que uma nova alta pode ocorrer ainda neste ano eleva a atratividade dos títulos do Tesouro dos EUA, fortalece o dólar globalmente e impõe cautela aos países emergentes, que também lidam com a pressão dos preços do petróleo.
Na avaliação de analistas de mercado, o movimento do Copom equilibra a necessidade de apoiar a economia brasileira com a obrigação de proteger o país de solavancos externos.

“O corte da Selic para 13,75% confirma que o Banco Central entende que já existe espaço para reduzir gradualmente o grau de restrição monetária, mas não significa que entramos em um ambiente de juros baixos. A taxa continua elevada e o principal sinal desta reunião é justamente a combinação entre flexibilização e cautela. A atividade começa a mostrar perda de força e a inflação recente trouxe algum alívio, o que justifica a continuidade do ciclo, mas o cenário internacional impede que esse movimento seja feito de forma muito mais rápida. O mercado passa agora a olhar menos para este corte isoladamente e mais para a trajetória dos próximos encontros. Nos Estados Unidos, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4%, e seus dirigentes projetam, pela mediana das estimativas, pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto ainda neste ano. Isso, somado ao petróleo pressionado e à maior volatilidade cambial, exige que o Copom preserve espaço para reagir caso essas variáveis voltem a pressionar as expectativas de inflação”, analisa Gustavo Assis, CEO do Asset.

No setor de financiamento corporativo, o alívio gradual dos juros tende a destravar emissões e renegociações de dívidas, embora a seleção criteriosa de tomadores continue sendo indispensável após um longo intervalo de política monetária restritiva. “O corte para 13,75% melhora gradualmente o ambiente de crédito, mas não muda a necessidade de disciplina na concessão. Depois de um período prolongado de juros muito elevados, empresas chegaram a esta fase do ciclo com estruturas financeiras bastante diferentes. Algumas preservaram caixa e reduziram alavancagem; outras carregam uma dívida mais pesada. Por isso, a queda da Selic precisa ser acompanhada de análise individual da capacidade de pagamento. O Copom tem espaço para continuar reduzindo os juros se a inflação e as expectativas seguirem melhorando, mas o exterior tornou esse caminho mais estreito. O Fed acaba de elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, e sinaliza, pelas projeções de seus dirigentes, a possibilidade de um novo aumento ainda em 2026”, pondera Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

A perspectiva predominante entre os especialistas é que, embora o ciclo de afrouxamento ainda não esteja formalmente encerrado, o espaço para cortes adicionais tornou-se condicionado à evolução da inflação, ao comportamento do câmbio e ao ritmo do aperto monetário norte-americano nos próximos meses.