PublicidadePublicidade - Poder da Capital

Queda no volume exportado e avanço das importações pressionam superávit comercial do Brasil

Alta dos preços mascarou retração física do comércio externo, enquanto sobretaxas dos Estados Unidos acendem alerta para o PIB e a indústria no segundo semestre

Alta dos preços mascarou retração física do comércio externo. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
P
Poder da Capital

O resultado recente do comércio exterior brasileiro acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro e no setor produtivo. Embora o faturamento total das exportações tenha avançado 6,2% em dólares, sustentado por um aumento de 10,8% no preço médio das mercadorias, a quantidade física efetivamente vendida ao exterior recuou 4,3%. Combinado ao crescimento de 7,6% nas importações e a um encolhimento de 5% nas vendas destinadas aos Estados Unidos, o superávit da balança comercial encerrou o período 17% abaixo do valor esperado.

A disparidade entre o faturamento em moeda estrangeira e a quantidade física embarcada é o ponto central das preocupações de analistas econômicos. Como a mensuração do Produto Interno Bruto (PIB) considera a produção real e não apenas os valores nominais, a queda no volume tende a impactar o ritmo de atividade do país.

"O dado mais importante para a atividade econômica não é o crescimento de 6,2% das exportações em dólares, mas a queda de 4,3% no volume embarcado. O Brasil faturou mais porque o preço médio dos produtos exportados avançou 10,8%, mas fisicamente vendeu menos", avalia Gustavo Assis, CEO da Asset.

O especialista pontua que o mercado norte-americano absorve cerca de 10% das vendas externas brasileiras, o que limita um choque agregado imediato na economia. Contudo, o risco reside na continuidade dessa tendência nos próximos meses. "Nesse cenário, empresas exportadoras podem reduzir produção, estoques, investimento e contratação, fazendo o choque comercial chegar ao PIB por canais que vão muito além da própria balança comercial", alerta Gustavo Assis.

Incerteza e assimetria na indústria de transformação
Paralelamente à perda de fôlego nas quantidades exportadas, a imposição de barreiras tarifárias pelos Estados Unidos traz incerteza adicional para as decisões corporativas no Brasil. A indústria de transformação aparece como a mais vulnerável, já que contratos e especificações de produtos estruturados para compradores americanos costumam exigir tempo de transição até que possam ser redirecionados a outros países.