Projeção de PIB fraco para 2027 limita alívio com cortes na Selic

Analistas alertam que redução nos juros reflete desaceleração econômica e que empresas precisam buscar eficiência interna diante da incerteza fiscal

Projeção de PIB fraco para 2027 limita alívio com cortes na Selic. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Victor Gomes

A expectativa de redução na taxa básica de juros não tem sido suficiente para desenhar um cenário de otimismo robusto para a economia brasileira. Segundo dados recentes do Relatório Focus, o mercado financeiro passou a projetar um corte adicional na Selic para este ano, levando a taxa a 13,50%. Em contrapartida, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 recuaram pelo segundo período consecutivo, apontando para um crescimento inferior a 1,5% entre os respondentes mais recentes.

O movimento revela que a flexibilização monetária é motivada pela perda de tração da atividade econômica, e não por um controle consolidado dos preços. Além do ritmo mais lento de expansão, as expectativas de curto prazo mostram pressões inflacionárias no atacado. "Esse Focus traz uma mudança importante e ela precisa ser lida com cuidado, porque o mercado passou a projetar mais um corte de juros neste ano, levando a Selic para 13,50%. Só que o motivo da revisão não é inflação melhor, é economia mais fraca, e isso faz toda a diferença", avalia André Matos, CEO da MA7 Capital. 

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Para o executivo, "cortar juro porque a atividade está piorando não é boa notícia, é constatação". Matos destaca ainda a preocupação com os custos no início da cadeia: "tem um sinal que me preocupa ainda mais nesse relatório, que é o índice de preços do atacado, porque a projeção para setembro praticamente dobrou em duas semanas e entre os respondentes recentes está mais alta ainda".

No ambiente corporativo, a queda dos juros nominais também não se traduz automaticamente em alívio no balanço das empresas. Questões como o risco fiscal mantêm o custo de captação elevado no mercado de crédito, o que exige das companhias uma gestão mais precisa do fluxo de caixa e do capital de giro.
"Existe uma distância entre a queda da taxa básica e a melhora financeira percebida pelas empresas", explica Leticia Moschioni, sócia da Finscale. "O risco fiscal interfere nesse processo porque influencia o custo dos recursos que abastecem o crédito. Se aumentar a desconfiança sobre a dívida pública, os financiadores podem cobrar mais ou reduzir prazos, mesmo com a Selic em queda."

De acordo com a especialista, enquanto o governo precisa avançar na previsibilidade macroeconômica, o setor produtivo tem como prioridade estratégica otimizar processos operacionais e o uso de dados para baratear o financiamento. "A tecnologia, sozinha, não assegura crédito barato: é necessário combinar dados confiáveis, financiamento compatível e controle de risco", pontua Moschioni. "Para 2027, a política econômica precisa reduzir a incerteza fiscal, enquanto as empresas podem avançar na eficiência financeira de suas próprias operações", finaliza.