População com 30 anos ou mais já é maioria no DF, aponta IBGE

PNAD Contínua mostra que os domicílios com apenas um morador passaram de 13,9% em 2012 para 19,9% em 2025

População com 30 anos ou mais já é maioria no DF, aponta IBGE. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
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Victor Gomes

O Distrito Federal está envelhecendo — e isso já aparece de forma clara nos dados mais recentes do IBGE. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgada nesta sexta-feira (17), revela mudanças importantes no perfil demográfico e nos arranjos domiciliares da população.

“A população de menos de 30 anos de idade sofreu não apenas uma redução de participação no total, mas também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas. Quando se considera o contingente de 0 a 39 anos, a queda foi de 6,1% frente a 2012”, destaca o analista da pesquisa do IBGE, William Kratochwill.

Desde o início da série histórica, em 2012, a participação dos mais jovens vem diminuindo. Naquele ano, pessoas com até 29 anos representavam 50,7% da população do DF. Em 2025, esse grupo passou a responder por 42,8%. Em sentido oposto, a parcela de moradores com 30 anos ou mais cresceu e agora soma 57,3%.

A queda é mais acentuada entre as faixas etárias mais jovens. O percentual de crianças de 0 a 4 anos recuou de 7,5% para 5,4%, enquanto o grupo de 5 a 13 anos caiu de 14,3% para 11,7%. Também houve redução entre adolescentes e jovens adultos: os grupos de 14 a 17 anos (6,4%), 18 e 19 anos (3,2%), 20 a 24 anos (8,0%) e 25 a 29 anos (8,1%) perderam participação ao longo do período.

Além do envelhecimento populacional, o levantamento aponta mudanças na forma como os moradores do DF vivem. Os domicílios unipessoais — aqueles ocupados por apenas uma pessoa — cresceram significativamente, passando de 13,9% em 2012 para 19,9% em 2025.

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2025

 

Esse tipo de arranjo é mais comum entre adultos de 30 a 59 anos, que representam 52,9% das pessoas que moram sozinhas. Os idosos também têm presença relevante, com 32,2%.

No recorte de gênero, o dado chama ainda mais atenção: entre as mulheres que vivem sozinhas, quase metade (49,5%) tem 60 anos ou mais. O resultado reforça tanto o envelhecimento da população quanto mudanças sociais, como maior independência e novos padrões de moradia.

Os números indicam uma transformação gradual no perfil do Distrito Federal, com menos jovens, mais adultos e idosos, e um crescimento consistente de pessoas vivendo sozinhas — tendências que devem impactar políticas públicas, mercado imobiliário e serviços nos próximos anos.