PIB deve crescer 2% em 2026, projeta CNI

Estimativa anterior era de alta de 1,8%; já o PIB industrial, teve seu crescimento impulsionado pela indústria extrativa

PIB industrial teve seu crescimento impulsionado pela indústria extrativa. Foto: CNI/José Paulo Lacerda
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Victor Gomes

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aumentou de 1,8% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país e de 1,1% para 1,6% a expectativa de alta da indústria em 2026. É o que mostra o Informe Conjuntural do 1º Trimestre, divulgado nesta sexta-feira (17). Os serviços e a agropecuária também tiveram as estimativas revistas para cima em relação às projeções feitas em dezembro do ano passado: de 1,9% para 2,1% e de 0% para 1,1%, respectivamente.

“Os ajustes das projeções de crescimento da economia se devem especificamente a três fatores. O primeiro é o desempenho mais positivo do que o esperado para a indústria extrativa nos primeiros meses do ano, puxado pela produção de petróleo e de minério de ferro. O segundo é a contínua revisão da previsão para a safra, para a qual se previa queda; e o último fator é um melhor desempenho do setor de serviços”, explica o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles. 

O desempenho acima do esperado da atividade econômica nos primeiros meses de 2026 também contribuiu para a melhora das expectativas e, consequentemente, das projeções. Por outro lado, a qualidade do crescimento econômico, marcado por um desequilíbrio entre consumo e investimento, persiste e preocupa.

“É o tipo de crescimento que não se sustenta. Se nós não tivermos aumento dos investimentos que gere uma oferta maior no futuro e supra o maior nível de consumo, o ritmo de expansão da economia será comprometido”, explica Telles.

Segundo a análise da CNI, o consumo das famílias deve subir 2% em 2026, uma alta de 0,7 ponto percentual frente ao ritmo de crescimento do ano passado. O impulso fiscal, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o crescimento da massa salarial devem impulsionar esse avanço. Já os investimentos devem subir 0,6%, ante alta de 2,9% em 2025, refletindo o impacto dos juros elevados e o endividamento das empresas.

Agro
A melhora das expectativas para o desempenho do setor de serviços passa, principalmente, por três fatores: o avanço do rendimento dos trabalhadores, a expansão dos gastos do governo e o aumento da renda disponível decorrente da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O endividamento das famílias, por outro lado, deve atuar como freio ao crescimento do setor. Já a revisão para cima do crescimento da agropecuária se deve à melhora das projeções para a safra e à continuidade do bom desempenho da pecuária.