Petróleo em disparada e surpresa eleitoral preparam abertura de forte tensão para o mercado financeiro

A combinação entre conflitos no exterior e a reação à reeleição presidencial sinaliza pressão sobre dólar, juros futuros e bolsa brasileira

Petróleo em disparada e surpresa eleitoral preparam abertura de forte tensão para o mercado financeiro. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Petróleo em disparada e surpresa eleitoral preparam abertura de forte tensão para o mercado financeiro. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Victor Gomes

A semana começa em clima de grande cautela para investidores no Brasil e no mundo. A combinação entre a forte alta do petróleo por causa de tensões geopolíticas e a surpresa com o resultado da eleição presidencial brasileira prepara um dia de muita instabilidade para as negociações financeiras nesta segunda-feira. No cenário internacional, o barril de petróleo Brent saltou 3,14% na sexta-feira, negociado a US$ 116,72, o patamar mais alto dos últimos seis meses. O avanço reflete o medo de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã. A disparada da commodity reacendeu o receio de inflação global e empurrou os juros dos títulos públicos norte-americanos de dez anos acima de 5%, provocando quedas nas bolsas de Nova York. Para completar, a semana reserva decisões sobre taxas de juros nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, além da divulgação de balanços de gigantes como Microsoft, Amazon e Alphabet.

No Brasil, o foco se volta para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou a reeleição com 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro. O desfecho contrariou boa parte do mercado financeiro, que apostava em uma troca de governo e havia investido na alta dos ativos locais.

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O sinal de alerta disparou já na noite de domingo. No mercado externo, o principal fundo negociado em bolsa com ações brasileiras chegou a tombar quase 20%, enquanto os recibos de ações da Petrobras recuaram cerca de 14%. O movimento indica uma abertura difícil para a B3 e para o câmbio, provocada pela necessidade de investidores desfazerem posições de forma rápida.

A preocupação central dos analistas está na condução das contas públicas no novo mandato. O controle dos gastos, a trajetória da dívida e a credibilidade das metas fiscais serão pontos essenciais para acalmar os ânimos. O mercado também aguarda os nomes que vão compor a equipe econômica e monitora a capacidade do governo de negociar com um Congresso de perfil mais conservador.

Diante desse quadro, os juros futuros tendem a abrir em forte alta, já que a incerteza fiscal e a pressão sobre as cotações geram receio de nova aceleração dos preços. Economistas avaliam que o Banco Central pode ser obrigado a interromper mais cedo o ciclo de corte da taxa básica, a Selic.

No câmbio, a tendência é de valorização expressiva da moeda americana. Na última sexta-feira, o dólar havia fechado em queda de 0,92%, cotado a R$ 4,9931, sustentado pelo otimismo eleitoral da oposição. Especialistas apontam que essa melhora deve se inverter, com projeções que já indicam a moeda podendo atingir patamares mais elevados caso o governo não emita sinais fiscais claros. Se a oscilação for desordenada, o Banco Central pode intervir para garantir a estabilidade do mercado.

Na bolsa de valores, o dia promete oscilações bruscas. O Ibovespa havia encerrado a semana passada aos 205.082 pontos, mas analistas não descartam a possibilidade de acionamento do mecanismo que interrompe os negócios temporariamente, o chamado circuit breaker, caso o índice despenque mais de 10% no pregão. Enquanto a alta do petróleo pode dar algum fôlego inicial a petroleiras, o futuro das regras de preços de combustíveis e a alta dos juros devem pesar sobre a Petrobras, sobre os grandes bancos e sobre empresas que dependem de crédito barato.