Pequena indústria amarga pior desempenho desde o auge da pandemia de Covid-19
Queda no volume de produção e juros elevados pressionam o setor, que viu seu índice de performance recuar para 43,7 pontos no primeiro trimestre de 2026
O cenário para os pequenos industriais brasileiros tornou-se mais desafiador no início de 2026. Segundo dados do Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (11), o setor atingiu seu pior patamar de desempenho em seis anos. O índice de performance recuou para 43,7 pontos, uma queda de um ponto em relação ao último trimestre de 2025.
Este é o resultado mais baixo registrado desde o segundo trimestre de 2020, quando o indicador despencou para 34,1 pontos em decorrência das restrições impostas pela pandemia de Covid-19. O PPI é um termômetro que consolida três variáveis fundamentais: o volume de produção, a utilização da capacidade instalada e a evolução do número de empregados.
De acordo com a CNI, o retrocesso é reflexo de uma combinação de fatores macroeconômicos e instabilidades externas. A manutenção de taxas de juros elevadas tem dificultado o fôlego financeiro dos pequenos empresários.
“Os juros altos tornam o acesso ao crédito ainda mais difícil para as pequenas indústrias, que são vistas pelo mercado como empresas de maior risco”, explica a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias.
O indicador revela um descontentamento generalizado dos industriais em relação a três pilares:
- Acesso ao crédito: dificuldade em obter financiamentos para capital de giro.
- Situação financeira: deterioração do caixa operacional.
- Margem de lucro: redução da rentabilidade devido ao aumento dos custos fixos e variáveis.
Além do crédito escasso, o setor enfrentou o encarecimento de insumos e matérias-primas no início do ano, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, o que comprimiu drasticamente as margens de lucro.