Para o BC economia desacelera e inflação segue acima da meta

Projeções do mercado sugerem cautela à frente

Projeções do mercado sugerem cautela à frente. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Victor Gomes

O Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Banco Central, confirma que a economia brasileira está perdendo fôlego após crescer 2,3% em 2025, mas ainda enfrenta uma inflação persistente acima do alvo de 3%. Para este ano, o BC projeta PIB em 1,6%, com impulso inicial da agropecuária, enquanto o IPCA deve ficar em torno de 3,9% nos próximos meses, convergindo devagar para 3,3% só no fim de 2027.

A atividade econômica mostra moderação clara: consumo das famílias e investimentos caem de ritmo, e o crédito desacelera pelo segundo ano seguido, com estoque projetado para crescer 9% em termos nominais. No entanto, o desemprego bateu mínimo histórico, e os salários reais sobem forte, sustentando serviços – o calcanhar de Aquiles da inflação, com variação anual acima de 6%.

De acordo com a análise Macro Brasil do Itaú, as projeções sugerem cautela. "Na nossa leitura, esse conjunto de informações (ainda passível de mudanças em função do contexto geopolítico) reduz o espaço para uma aceleração do ritmo de afrouxamento monetário na reunião de abril", aponta.

O que isso muda no dia a dia
Consumidores e famílias: Alimentos em casa diminuem um pouco o valor, mas serviços (aluguel, educação, saúde) seguem caros; planeje orçamento com inflação acima de 3,5% no radar.

Investidores: Prefixados e inflação ganham apelo em cenário de juros altos e crescimento fraco; fiscal sem ajuste mantém prêmio de risco elevado.

Governo e fiscal: Déficit primário persiste, dívida/PIB sobe; qualquer deslize agrava percepção de risco.