Moradores de Brasília rejeitam "taxa das blusinhas" e apontam prejuízo ao poder de compra
Pesquisa inédita da PROTESTE revela que a capital federal tem alto índice de engajamento no comércio internacional e forte rejeição política à tributação de pequenas compras online
Uma pesquisa realizada pela PROTESTE (Euroconsumers-Brasil) em maio de 2026 acendeu um alerta para os formuladores de políticas públicas na capital federal. O estudo aponta que os moradores de Brasília estão entre os mais impactados pela chamada "taxa das blusinhas", apelido dado à tributação sobre compras internacionais de pequeno valor (até US$ 50). A capital do país teve papel de destaque na composição do estudo, representando 8% do total de dados ponderados da amostra nacional. Os brasilienses entrevistados compõem um cenário de alto consumo digital, mas também de profunda insatisfação com a perda do poder de compra decorrente das novas alíquotas tributárias.
Historicamente associada a um poder aquisitivo acima da média nacional, Brasília reflete o comportamento visto nas classes A e B da pesquisa, onde 84% dos entrevistados afirmaram ter feito compras em plataformas internacionais nos últimos três meses.
Em relação à frequência, os dados apontam que a média geral do consumidor é de uma compra a cada três meses. No entanto, o volume financeiro e o fluxo de pedidos são liderados majoritariamente pelo setor de moda. Em consonância com a tendência nacional, o principal interesse dos compradores locais concentra-se em:
- Roupas (55% das menções gerais);
- Acessórios (40%);
- Eletrônicos (31%).
O desconhecimento não é uma realidade na capital. Amparada pela região Centro-Oeste, Brasília está inserida na parcela geográfica com o maior nível de informação sobre a taxação: 87% das pessoas na região sabiam da criação do imposto.
Contudo, saber da taxa não significou aceitá-la. A percepção de injustiça fiscal é expressiva. No Centro-Oeste:
- 48% afirmam que a taxação prejudicou muito o seu poder de compra;
- 65% reduziram o valor total gasto em plataformas digitais após a implementação da medida;
- 71% declararam-se abertamente "prejudicados" pela taxação.
O ponto de maior atrito para o cidadão de Brasília surge na comparação com a isenção concedida a quem viaja de avião para o exterior (que podem trazer até US$ 1.000 sem impostos). Para 53% dos entrevistados, a maior injustiça do sistema atual é taxar as compras baratas feitas pela internet, enquanto uma minoria viaja com teto de isenção elevado. Além disso, 66% avaliam que o imposto sobre pequenas compras afeta, de forma desproporcional, as pessoas mais pobres.