Mercado volta a elevar projeção da inflação para 2026
Boletim Focus desta segunda-feira (18) apresenta nona alta consecutiva
O mercado financeiro elevou pela nona vez seguida a previsão de inflação para 2026 e passou a prever juros mais alto no ano que vem. A estimativa publicada pelo Boletim Focus do Banco Central trouxe um aumento de 4,89% para 4,91% para o IPCA. Quanto ao PIB, os analistas mantiveram a expectativa de crescimento em 1,85% e reduziram o dólar de R$ 5,25 para R$ 5,20.
Para o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, o Focus reforçou um ponto importante para o mercado, de que a inflação ainda não abriu espaço suficiente para uma queda mais confortável da Selic. "A projeção do IPCA em 4,92% para 2026 mostra que o Banco Central continua trabalhando com uma expectativa próxima de 5%, enquanto a Selic esperada para o fim de 2026 em 13,25% incorpora juros mais altos por mais tempo. O câmbio contido em R$ 5,20 e queda projetada pra 2027 ajuda a aliviar parte da pressão sobre combustíveis, importados e algumas commodities, mas não é suficiente para mudar sozinho a leitura do Copom. O número que mais deve pesar nas próximas semanas será a inflação de serviços, porque ela mostra se a demanda interna realmente está perdendo força. Se os núcleos seguirem resistentes, o mercado pode se frustrar novamente com a velocidade dos cortes, contudo ainda existe algum sinal de alívio, mas ele é pontual”, destacou o analista.
O dado que deve pesar mais agora é a dinâmica do IPCA corrente, especialmente serviços e administrados, porque são componentes que mostram se a desaceleração é estrutural ou apenas pontual, segundo a avaliação do CEO da MA7 Negócios, André Matos. "O PIB em 1,85% indica uma economia que perde velocidade, mas não desacelera o suficiente para garantir queda rápida dos juros. Para crédito, empresas e reestruturações, esse ambiente exige leitura mais seletiva, não defensiva. Juros altos continuam separando companhias com gestão de caixa eficiente daquelas que dependem de rolagem fácil de dívida”, apontou Matos.
Segundo os analistas ouvidos pelo Focus, para 2028, a projeção ficou estável em 3,64%, enquanto para 2029 permaneceu em 3,50% pela 36ª semana consecutiva.