Mercado financeiro eleva projeção da inflação e vê Selic em queda lenta diante de incertezas
Boletim Focus aponta IPCA em 5,33% para este ano, acima do teto da meta; economistas preveem postura cautelosa do Banco Central nas próximas reuniões
O mercado financeiro revisou, mais uma vez, as estimativas para a inflação oficial do país. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22), a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 5,3% para 5,33%. O novo percentual consolida as expectativas do mercado acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para este ano, a meta central é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, isso significa que o limite máximo tolerado seria de 4,5% — patamar que já vem sendo superado.
O movimento de alta reflete pressões recentes nos preços, como o custo dos alimentos, que impulsionou o índice de maio para 0,58%. Com isso, o acumulado da inflação nos últimos 12 meses atingiu 4,72%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), furando o teto estabelecido pelo governo.
Para os próximos anos, o cenário também passou por ajustes. A projeção para 2027 subiu de 4,1% para 4,15%. Já para 2028 e 2029, as estimativas do mercado estão em 3,7% e 3,5%, respectivamente, mostrando uma trajetória de queda lenta em direção à meta.
Em análise assinada pelo economista-chefe Mario Mesquita, o banco Itaú destacou que o recuo veio dentro do esperado e que o Banco Central preferiu não se comprometer rigidamente com os próximos passos. O comunicado oficial do comitê indicou que novos estímulos à demanda — ou seja, medidas que incentivem o consumo excessivo — representam um risco de alta para a inflação, o que exige um monitoramento rigoroso.
"Ao manter suas opções em aberto, o Copom reflete a intensa incerteza ao redor de suas projeções", avalia o Itaú. A expectativa do banco é de que ocorra mais um corte modesto de 0,25 ponto na próxima reunião, em agosto, o que traria a Selic para 14,0% ao ano. Detalhes mais profundos sobre a visão do Banco Central serão conhecidos nesta terça-feira, com a divulgação da ata da última reunião.