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IPCA desacelera para 0,07% em julho, mas pressões em energia e serviços mantêm cautela do Copom

Queda no preço dos alimentos alivia o índice acumulado em 12 meses para 4,44%, embora itens mais rígidos e incertezas globais exijam prudência no ritmo de corte dos juros

Queda no preço dos alimentos alivia o índice acumulado em 12 meses para 4,44%. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Victor Gomes

Os alimentos ficaram mais baratos no mês de julho e ajudaram a inflação oficial a perder força pelo quarto mês consecutivo, encerrando o período com variação de 0,07%. O resultado levou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a acumular alta de 4,44% em 12 meses, recuando frente aos 4,64% registrados no mês anterior e reconduzindo o indicador para dentro da meta estabelecida pelo governo. O valor apurado veio em linha com a estimativa do mercado financeiro divulgada no boletim Focus do Banco Central, que projetava exatamente 0,07% para o mês. Para o encerramento de 2026, as instituições econômicas projetam um IPCA de 5,02%.

A desaceleração do índice geral resulta do equilíbrio de forças que atuaram em direções opostas na cesta de consumo. O grupo Alimentação e bebidas retirou 0,14 ponto percentual do indicador, anulando praticamente todo o impacto do grupo Habitação, que acrescentou 0,15 ponto percentual ao resultado. Contudo, os detalhes da composição acendem alertas sobre a disseminação da desinflação. A energia elétrica subiu 3,09% no mês, enquanto itens de alimentação fora de casa e saúde também registraram avanços. Por se tratar de componentes com maior peso contratual ou persistência, o cenário exige atenção redobrada da autoridade monetária.

"O IPCA de julho trouxe uma leitura positiva na direção, mas ainda insuficiente para alterar de forma relevante a postura do Banco Central. A alta de 0,07% ficou abaixo do 0,16% de junho e levou o acumulado em 12 meses de 4,64% para 4,44%, o que reforça a tendência de desaceleração do índice cheio. A composição, porém, ainda exige cautela: alimentação e vestuário contribuíram para aliviar o resultado, enquanto habitação e saúde seguiram pressionando a inflação do mês. Para o Copom, o dado ajuda a manter espaço para a continuidade do ciclo de queda da Selic, mas não autoriza uma leitura de afrouxamento acelerado", analisa Valdir Piran Jr., CEO da Intra.

O viés de cautela também se reflete na dinâmica internacional e comercial. A defasagem na transmissão de custos explica por que o IPCA reduziu o ritmo mesmo diante de tensões comerciais globais, uma vez que o chamado tarifaço depende de variáveis como câmbio, estoques, fretes e reorganização de cadeias de suprimento para afetar os preços ao consumidor final.

"A baixa inflação de julho resulta do equilíbrio entre forças que caminharam em sentidos opostos. Alimentação e bebidas retirou 0,14 ponto percentual do IPCA, praticamente anulando os 0,15 ponto acrescentados pela habitação. Isso abre espaço técnico para outro corte da Selic, mas não confirma uma desinflação disseminada. A energia elétrica subiu 3,09%, enquanto alimentação fora de casa e saúde também avançaram. Esses componentes possuem maior persistência ou peso contratual e, por isso, exigem que o Banco Central observe além do índice cheio antes de ampliar o ritmo dos cortes", explica Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.