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IPCA de Brasília recua em agosto puxado pela queda na conta de luz

Capital federal registra primeira deflação desde o início de 2024 impulsionada por bônus tarifário na energia elétrica

Capital federal registra primeira deflação desde o início de 2024 impulsionada por bônus tarifário na energia elétrica. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília
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Victor Gomes

A inflação em Brasília registrou deflação de 0,02% em agosto de 2026, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de taxas positivas e marca o primeiro recuo de preços na capital federal desde janeiro de 2024, quando o índice havia marcado -0,36%. No cenário nacional, a retração foi ainda mais intensa, fechando o mês em -0,32%.

Com o desempenho de agosto, o índice acumula alta de 3,06% no ano na capital federal. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação local atinge 4,42%. Entre os nove grupos de produtos e serviços monitorados pelo instituto em Brasília, três apresentaram taxas negativas no período. O setor de habitação exerceu a maior pressão de baixa sobre o índice geral, com contração de 1,19% e impacto de -0,16 ponto percentual no resultado mensal.

O principal fator por trás desse alívio no orçamento doméstico foi a energia elétrica residencial, que caiu 7,22%. A redução decorre da aplicação do Bônus de Itaipu, creditado diretamente nas faturas dos consumidores ao longo do mês. Esse abatimento compensou a vigência da bandeira tarifária amarela, responsável por cobrar acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Ainda no grupo habitação, o gás de botijão também contribuiu para a desaceleração de preços ao registrar retração de 0,90%.

Apesar do resultado pontual favorável, especialistas do mercado financeiro recomendam cautela na avaliação dos próximos passos da economia. Em entrevista sobre o cenário macroeconômico, o CEO da Multiplike, Volnei Eyng, ressalta que o comportamento dos índices nos períodos seguintes ditará o ritmo da política monetária.

"A mensagem mais importante está nos próximos meses. Se a inflação continuar cedendo, aumenta a confiança de que o ambiente de juros pode melhorar. E, quando isso acontece de forma consistente, as empresas ganham mais espaço para investir, planejar o caixa e buscar crédito com mais previsibilidade. Hoje, o cenário melhora na inflação, mas ainda não permite dizer que o dinheiro ficou barato. O próximo passo é saber se essa melhora continua quando o efeito temporário da energia ficar para trás", afirma Eyng.