IPCA de agosto deve registrar deflação de 0,31% puxado por alimentos e energia elétrica
Projeção do Banco Daycoval aponta desaceleração no acumulado em 12 meses para 4,2%, mas acende alerta para pressões de serviços e riscos climáticos no fim do ano
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de agosto deve apresentar uma deflação de 0,31%, segundo estimativas divulgadas pelo Banco Daycoval. O indicador oficial da inflação brasileira será publicado nesta sexta-feira (11/09). Caso o recuo se confirme, o acumulado em 12 meses passará dos atuais 4,4% para 4,2%.
A retração mensal reflete, principalmente, alívios pontuais nos preços de alimentos, passagens aéreas e tarifas de energia elétrica residencial. No grupo de preços administrados, o forte recuo decorre tanto da queda no valor da gasolina quanto da aplicação de descontos temporários nas faturas de luz devido ao bônus de Itaipu. Entre os bens industriais, o comportamento segue benigno, sustentado pela deflação do etanol.
No segmento de alimentos, a queda sazonal nos produtos in natura garantiu a permanência do grupo em terreno negativo. Entretanto, os analistas do Daycoval alertam que esse fôlego já perde força, com expectativa de retomada das altas a partir do quarto trimestre.
O cenário prospectivo exige atenção das autoridades monetárias. A instituição financeira mantém projeção de inflação em 5,0% para o fechamento do ano, apontando dois focos principais de cautela: a probabilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño na reta final do ano e a dinâmica de serviços.
Embora o índice agregado de serviços conte com a moderação temporária das tarifas aéreas, os itens atrelados ao ritmo da atividade econômica mostram ligeira aceleração. Em especial, a medida de serviços subjacentes deve registrar avanço relevante, puxada por serviços automotivos. A interrupção na trajetória de arrefecimento desse núcleo adiciona complexidade à atuação do Banco Central do Brasil no controle inflacionário.
