IPCA 15 recua 0,25% em Brasília em agosto puxado por transportes e habitação
Queda nas passagens aéreas e na energia elétrica residencial lideram o alívio nos preços da capital federal, que acumula taxa de 4,33% em 12 meses
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 registrou retração de 0,25% em Brasília no mês de agosto de 2026. O resultado refletiu a tendência nacional de desinflação, embora o índice médio brasileiro tenha apresentado uma queda mais intensa, de 0,40%. Com esse desempenho, a capital federal acumula alta de 3,02% no ano e de 4,33% no acumulado dos últimos 12 meses.
O diretor da Pilar Capital, Cassio Viana de Jesus, destaca que a informação pode ter impactos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "O Focus mais recente ainda projeta 5,02% para o IPCA de 2026, acima do teto da meta. O dado de hoje entra no conjunto de condições que o Copom vai ponderar em um eventual novo corte da Selic, mas não o garante, especialmente pelo seu caráter não recorrente", argumenta.
Os setores de transportes e habitação foram os principais responsáveis por conter o orçamento das famílias no período. No grupo Transportes, que recuou 1,10%, o destaque ficou com as passagens aéreas, com recuo de 14,16%, além do transporte por aplicativo e de peças automotivas. Em Habitação, a redução de 1,13% foi fortemente influenciada pela conta de luz residencial, que caiu 6,75%, acompanhada por recuos no gás de botijão e em produtos de limpeza.
O segmento de Alimentação e Bebidas também contribuiu para a desaceleração geral ao apresentar variação negativa de 0,12%. Itens básicos registraram quedas expressivas, como o tomate, a cenoura e a batata-inglesa. Em contrapartida, pressões de alta foram observadas no mamão, no leite longa vida e na alimentação fora de casa.
Na contramão do movimento deflacionário, o grupo de Despesas Pessoais exerceu o maior impacto de alta no mês, avançando 0,52%. A pressão sobre o índice partiu principalmente dos reajustes nos serviços de empregado doméstico, cigarro e serviços de hospedagem.
A sócia da Finscale, Letícia Moschioni, recorda o desafio que será se encaixar à meta. "Para encerrar o ano em 4,50%, a inflação oficial precisaria ficar próxima de 0,20% ao mês, em média, entre agosto e dezembro. Para empresas que estruturam crédito, pagamentos ou serviços financeiros próprios, uma inflação menos volátil permite precificar melhor o risco, ajustar limites com mais precisão e usar dados operacionais para direcionar capital aos clientes e fornecedores com maior capacidade de pagamento”, finaliza.
