Inflação sobe 0,85% em março no DF, pressionada por transportes
Acumulado de 12 meses mantém Brasília dentro da meta nacional
A inflação voltou a acelerar em março no Distrito Federal (DF), acompanhando a tendência nacional. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,85% na capital federal, ligeiramente abaixo da média do país (0,88%). Com o resultado, o acumulado no ano chega a 1,71%, e o avanço em 12 meses soma 4,19%, mantendo a variação dentro da meta do Banco Central (BC) para 2026.
O principal foco de pressão veio do grupo Transportes, que subiu 1,62% e foi responsável por grande parte da inflação do mês. Três itens puxaram o aumento: gasolina (2,03%), ônibus urbano (12,95%) e passagem aérea (5,23%). A alta das tarifas do transporte público reflete ajustes metodológicos que incorporam a redução de preços aos domingos e feriados, com o programa "Vai de Graça", do governo local. Na outra ponta, seguro de veículo (-3,11%), automóvel novo (-0,67%) e pneus (-1,62%) ajudaram a conter o avanço do grupo.
De acordo com a análise Macro Brasil do Itaú, o registro tem as marcas do petróleo. "A surpresa com o IPCA de março foi maior em gasolina e em industriais subjacentes, mas notamos pressão mais disseminada de forma geral. Não apenas o índice cheio veio mais forte, mas o qualitativo do dado também foi pior do que o esperado, com núcleos mais pressionados na margem. Essa leitura reforça o viés de alta para a nossa projeção do ano, atualmente em 4,5%", detalha o relatório assinado pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita.
O grupo Despesas pessoais também teve participação relevante, com alta de 1,39%. O movimento foi impulsionado pelo aumento em hospedagem (8,36%), serviços bancários (1,10%) e remuneração de empregados domésticos (0,59%), refletindo a recuperação do setor de serviços e a elevação dos custos ligados à manutenção de residências.
Alimentação
Em seguida, Alimentação e bebidas subiram 0,73%, acompanhando as oscilações dos preços de hortaliças e cereais. O destaque ficou por conta do tomate, que disparou 16,46% em março. Também subiram o pão francês (2,68%) e os lanches prontos (0,78%), pressionando o orçamento das famílias. Já as maiores quedas foram registradas em laranja-pêra (-8,31%), maçã (-7,18%) e banana-prata (-4,10%), que ajudaram a amenizar parte da elevação no grupo.
Entre os nove grupos pesquisados, apenas Educação apresentou queda, com variação de -0,14%. As principais reduções vieram de livros não didáticos (-2,22%), atividades físicas (-0,59%) e cadernos (-3,74%), após os reajustes concentrados nos meses de início do calendário escolar.
Apesar da aceleração em março, o resultado de 4,19% em 12 meses mantém a inflação de Brasília dentro do intervalo de tolerância da meta nacional (3% ± 1,5 ponto percentual). Ainda assim, os aumentos nos combustíveis e nos serviços pessoais reforçam a necessidade de atenção às pressões de custo no segundo trimestre, especialmente diante da repactuação de contratos e da retomada gradual da demanda doméstica.