Indústria cresce pelo terceiro mês seguido e supera nível pré-pandemia, aponta IBGE

Produção avança 0,1% em março, acumula alta de 3,1% no trimestre, mas ainda está abaixo do pico histórico de 2011

Indústria avançou no primeiro trimestre de 2026. Foto: Geraldo Bubniak/AEN
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Victor Gomes

A produção industrial brasileira apresentou leve crescimento de 0,1% na passagem de fevereiro para março de 2026, marcando o terceiro mês consecutivo de expansão. No acumulado desse período, o setor registra alta de 3,1%, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o desempenho recente, a indústria já opera 3,3% acima do nível observado no período pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Apesar disso, o setor ainda se encontra 13,9% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011, evidenciando que a recuperação segue incompleta no longo prazo.

Na comparação com março de 2025, a produção industrial cresceu 4,3%, com resultados positivos disseminados entre atividades e produtos. O desempenho, no entanto, foi influenciado pelo maior número de dias úteis neste ano — 22 dias, contra 19 no mesmo mês do ano anterior.

De acordo com análise do Itaú, há expectativa para estabilização no curto prazo. "Olhando à frente, esperamos que a indústria de transformação fique praticamente estável ao longo do ano, enquanto o setor extrativo deve registrar mais um desempenho positivo em 2026", destaca a publicação assinada pelo economista-chefe, Mario Mesquita.

Entre os destaques positivos, o setor automotivo liderou a expansão, com alta de 18,7%, impulsionado pela produção de automóveis, caminhões e autopeças. Também contribuíram de forma relevante os segmentos de alimentos (5,7%), indústrias extrativas (4,7%) e derivados de petróleo e biocombustíveis (4,2%).

Outros setores que apresentaram crescimento significativo incluem equipamentos de informática e eletrônicos (9,3%), outros equipamentos de transporte (11,3%), móveis (9,9%) e produtos farmacêuticos (4,2%), indicando um avanço relativamente disseminado na base industrial.

Na análise de curto prazo, a média móvel trimestral avançou 1,0% em março, enquanto o acumulado no ano registra alta de 1,3% frente ao mesmo período de 2025. Já o indicador de 12 meses — que mede a tendência de longo prazo — apresentou crescimento de 0,4%.

Entre as atividades com maior influência no resultado mensal, destacam-se os setores de derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceram 2,2% e acumulam alta de 11,5% em quatro meses consecutivos, além da indústria química, com avanço de 4,0%, recuperando perdas observadas no mês anterior.