Incerteza eleitoral pode adiar até R$ 62 bilhões em consumo no varejo brasileiro em 2026

Estudo aponta cenário mais incerto já registrado e alerta para possível impacto sobre as vendas

Estudo aponta cenário mais incerto já registrado e alerta para possível impacto sobre as vendas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Victor Gomes

Um levantamento do  Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR)-FIA Business School, que envolve duas décadas de dados de vendas do varejo cruzados com a atividade geral da economia, identificou um padrão que se repete há 20 anos e um risco que só apareceu duas vezes: quando a eleição presidencial chega empatada, o consumidor trava a compra de maior valor e o efeito pode custar ao comércio até R$ 62 bilhões em um único trimestre. 

A respeito do varejo, os pesquisadores analisaram Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE e a respeito da atividade geral, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br/BCB). O presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, chama atenção para um agravante inédito. "Um eventual segundo turno em 25 de outubro cairia diretamente sobre a Black Friday (27 de novembro) e o Natal — as semanas mais importantes do calendário do varejo. Historicamente, o alívio pós-eleição existe (o varejo ampliado cresce em média 1,5% no trimestre novembro-janeiro, contra 0,9% em anos normais), mas nas duas eleições de empate técnico o rebote ficou abaixo do padrão — parte da venda adiada nunca volta", destaca. 

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Com o país às vésperas de uma eleição que reúne o maior índice de incerteza de política econômica (EPU-Brasil) já registrado no início de um ano eleitoral presidencial — 238 pontos, ante 177 em 2022 e 146 em 2014 — e pesquisas mostrando os dois principais candidatos separados por margem apertada, o estudo indica que 2026 reúne justamente as condições que, no passado, precederam o maior recuo do varejo em ano de eleição. 

O padrão de duas décadas 
Historicamente, ano de eleição é bom para o varejo: no trimestre agosto-outubro, sob governos de FHC, Lula, Dilma e Temer, todas as principais linhas do setor cresceram acima do padrão dos demais anos — com destaque para veículos, cuja vantagem chegou a 5,5 pontos percentuais. O padrão se repete independentemente do campo político no poder.