Incerteza eleitoral derruba confiança do comércio e esfria contratações para o fim de ano
Pesquisa da CNC aponta o pior nível de pessimismo dos lojistas desde maio de 2021, afetando principalmente as lojas de roupas e calçados
A reta final do ano costuma ser o momento mais esperado pelo varejo, mas os comerciantes chegam aos últimos três meses de 2026 com o freio de mão puxado. Em outubro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 2,7%, registrando o quarto mês seguido de baixa e o pior patamar desde maio de 2021. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Com a queda, o indicador foi para 96,7 pontos, entrando na chamada zona de pessimismo (quando fica abaixo de 100 pontos). O principal motivo para essa cautela foi a instabilidade provocada pelo período eleitoral, somada às dúvidas sobre o futuro das contas públicas e os rumos dos juros no país. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia a insegurança dos empresários no começo do trimestre em que deveriam estar ampliando seus investimentos. “O comércio acende um alerta para todo o País ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisa.
O reflexo desse cenário atinge em cheio as vagas de emprego temporário e a estrutura das lojas para as festas de fim de ano. O subíndice que mede a intenção de investimento caiu 2,4% no mês, puxado principalmente pela redução de 2,8% nos planos de contratação de funcionários. Além disso, o apetite dos lojistas para investir no próprio negócio diminuiu 2,7% na comparação com o mês anterior e 4,4% em relação a outubro do ano passado.
A avaliação sobre o momento presente é a mais crítica de toda a pesquisa. O indicador de Condições Atuais despencou 5,5% em outubro, acumulando seis meses consecutivos de perdas e marcando 68,2 pontos. Quase oito em cada dez gestores (78,2%) afirmam que a situação econômica geral piorou, o nível de insatisfação mais alto em mais de um ano. A visão dos comerciantes sobre a saúde da própria empresa e do setor também piorou no período, com quedas de 4,5% e 6,1%, respectivamente.
Entre os setores, o impacto mais forte ocorreu no comércio de bens semiduráveis, categoria que engloba vestuário, calçados e tecidos. Tradicional motor de vendas no Natal e na Black Friday, o segmento viu a confiança dos empresários derreter 5,4% no mês e 3,3% no confronto anual, refletindo o receio de que o consumidor limite os gastos nas compras de fim de ano.
