Inadimplência atinge patamares recordes e agrava dificuldades de empresas e famílias no Brasil, alerta CNC
Com 9,1 milhões de CNPJs negativados e 82% dos consumidores endividados, aperto financeiro simultâneo pressiona a capacidade de consumo, produção e investimento no país
O avanço da inadimplência no Brasil atingiu marcas históricas e acendeu um sinal de alerta para a economia nacional. Dados divulgados pela Serasa Experian apontam que o número de empresas com contas em atraso alcançou o recorde de 9,1 milhões. O cenário é corroborado por estatísticas do Banco Central, que mostram a inadimplência corporativa no maior patamar para meses de junho em nove anos. A maior parte das pessoas jurídicas afetadas é composta por micro e pequenos empresários, segmento com menor capacidade para suportar custos elevados e crédito restrito.
Mas entre os grandes, o problema também é encontrado. A advogada especialista em direito empresarial, Camila Nicolau Juliano, destaca que o setor vem operando no limite, pressionado por juros elevados, crédito mais restrito, aumento dos custos financeiros e queda do consumo. "Quando a empresa chega à Justiça sem liquidez, patrimônio ou capacidade de captar novos recursos, depois de sucessivas renegociações, a recuperação pode apenas postergar uma crise que já se tornou mais profunda. O grande desafio é identificar se ainda existe uma operação economicamente viável que possa ser reestruturada ou se o processo chega tarde demais”, afirma.
O problema no setor produtivo reflete diretamente o aperto no orçamento das famílias. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, revelou que 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, com níveis recordes de inadimplência. Com a maior parte da renda comprometida com dívidas, o espaço para despesas além dos itens essenciais fica severamente reduzido.
Esse quadro de dificuldades simultâneas afeta de maneira direta o ambiente de negócios. A combinação entre demanda desaquecida, encarecimento do crédito e margens operacionais mais estreitas indica que as condições para consumir, produzir e investir vêm se deteriorando continuamente no país.
Embora iniciativas voltadas à renegociação de dívidas das pessoas físicas ofereçam alívio imediato, a recuperação sustentável da atividade depende de medidas mais amplas. Para entidades do setor produtivo, é fundamental articular ações estruturais que permitam ao Banco Central avançar no ciclo de redução das taxas de juros, restabelecendo o equilíbrio necessário para destravar o consumo, os investimentos e a geração de empregos.
