IGP-M desacelera para 1,47% em outubro, mas pressão de custos e risco fiscal mantêm alerta ligado

Inflação do atacado e valorização do dólar podem adiar repasse de preços para o consumidor e afetar cortes futuros na taxa básica de juros

IGP-M desacelera para 1,47% em outubro. Foto: Divulgação FGV
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Victor Gomes

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 1,47% em outubro, após ter subido 1,57% em setembro. Apesar do leve alívio no ritmo de crescimento mensal, o indicador acumula elevação de 4,97% no ano e de 5,24% no período de 12 meses, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O cenário é bem diferente do verificado em outubro de 2025, quando o índice havia recuado 0,36% e acumulava alta de 0,92% em 12 meses. Por trás dessa moderação pontual, os componentes internos do índice continuam gerando preocupação no setor produtivo, em especial pela disparada dos preços no atacado e pela valorização do dólar frente ao real.

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a desaceleração mensal traz um aspecto favorável, mas a trajetória dos custos corporativos exige vigilância. “A desaceleração do IGP-M é positiva, mas a alta dos custos de produção merece atenção, já que se o dólar continuar subindo, produzir ficará mais caro, principalmente para empresas que dependem de matérias-primas e insumos importados. O ponto de atenção é que, com o consumo enfraquecido, as empresas terão dificuldade para repassar esses aumentos aos preços, o que deve pressionar suas margens de lucro. Acredito que parte desses custos ainda chegará ao consumidor em 2027, dificultando a queda da inflação. O maior risco, entretanto, está na falta de confiança na política fiscal. É necessário um compromisso concreto com o controle dos gastos públicos e a estabilização da dívida, o dólar poderá continuar pressionado, dificultando os cortes da Selic”, destacou o analista.

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A leitura detalhada do levantamento reforça essa pressão no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou avanço de 1,93%, com destaque para o encarecimento de bens intermediários, que aceleraram para 1,05%. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que esses dados apontam para custos que ainda não foram totalmente absorvidos pelas prateleiras do comércio. “O IGP-M desacelerou para 1,47%, mas o IPA avançou 1,93%, enquanto os bens intermediários aceleraram para 1,05%. Essa composição indica pressões de custos que ainda não foram integralmente transmitidas ao consumidor. Com os juros internacionais, a volatilidade cambial e a maior aversão ao risco, uma depreciação persistente do real entre 5% e 8% acrescentaria de 0,5 a 0,8 ponto percentual ao IPCA de 2027. Considerando a demanda fraca, projetamos como cenário um repasse inicial de 35% a 50% dos custos, com o restante acomodado por margens e negociações”, avaliou.

Araújo também reforçou a necessidade de equilíbrio nas contas públicas para permitir a redução dos juros básicos no médio prazo e preservar o ritmo de investimentos. “O risco está na deterioração das expectativas de inflação, que elevaria os juros futuros. Uma política fiscal com metas críveis, controle das despesas e estabilização da dívida seria essencial para permitir a queda da Selic e evitar que a retomada mais ampla dos investimentos fique para 2028. Nos fundos estruturados, governança e gestão de riscos tornam-se ainda mais relevantes”, completou o executivo.