Guerra no Oriente Médio já pressiona preços e custos no Brasil, aponta Itaú
Levantamento com empresas de diferentes setores mostra repasses em cadeia, reajustes já implementados e risco de novas altas
A guerra no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz já aparecem como a maior disrrupção recente no mercado global de petróleo, com efeitos que vão muito além do setor de energia e começam a atingir diferentes cadeias produtivas no Brasil.
Segundo o relatório do Itaú Unibanco, todos os setores ouvidos relataram reajuste de preços por fornecedores ou já receberam sinalização de novas altas, ainda que com intensidades diferentes entre os segmentos.
O estudo ouviu empresas de agronegócio, alimentos, embalagens, construção, cosméticos e veículos, entre outros ramos, para medir os primeiros efeitos do choque geopolítico sobre custos, margens e oferta.
Em praticamente todos os casos, o canal de impacto mais citado foi a elevação de custos com insumos, frete e logística internacional, com pouca margem para absorção das pressões.
Setores mais afetados
No setor de embalagens, o impacto foi descrito como direto e dominante, com aumentos relevantes em resinas, papel, alumínio e frete, além de novas rodadas de reajustes já comunicadas.
No agro, a principal pressão veio de diesel, frete e fertilizantes, especialmente nitrogenados, embora parte do choque tenha sido compensada pelos preços internacionais das commodities.
Já em alimentos e cosméticos, o relatório destaca aumentos em petroquímicos, embalagens e insumos derivados do petróleo, com tendência de repasse ao consumidor final caso a alta persista.
O quadro ainda não indica desorganização generalizada da oferta, mas mostra que a guerra já começou a se traduzir em pressão concreta sobre preços, margens e planejamento empresarial no país.