Guerra no Oriente Médio eleva custos e pressiona indústria brasileira
Alta das matérias-primas atinge maior nível desde a Pandemia e piora a lucratividade das empresas
A escalada da guerra no Oriente Médio provocou forte aumento nos preços internacionais de insumos, impactando diretamente a indústria brasileira. Dados da Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o índice de evolução do preço médio das matérias-primas subiu 10,8 pontos no primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 para 66,1 pontos.
“A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
O patamar é o mais elevado desde o segundo trimestre de 2022, período ainda marcado pelos efeitos da pandemia sobre o comércio global. O avanço reflete, sobretudo, a alta do petróleo e de outras commodities estratégicas, pressionadas pelas tensões no Oriente Médio.
O aumento dos custos tem impactado negativamente as condições financeiras das empresas industriais. O índice que mede essa percepção recuou de 50,1 pontos no quarto trimestre de 2025 para 47,2 pontos no início de 2026, indicando piora no cenário.
A lucratividade também foi afetada. O índice de satisfação com o lucro operacional caiu 2,6 pontos, chegando a 41,9 pontos — o menor nível desde o segundo trimestre de 2020, quando a indústria enfrentava os efeitos mais severos da pandemia.
Outro ponto de atenção é o acesso ao crédito. O indicador recuou de 40,9 para 39 pontos no período, atingindo o pior resultado em três anos e permanecendo bem abaixo da linha de 50 pontos, o que sinaliza forte dificuldade das empresas em obter financiamento.