Guerra no Oriente eleva preços de energia e acende alerta para inflação global
Alta no petróleo, combustíveis e fertilizantes já pressiona mercados internacionais e pode chegar ao bolso do consumidor
A escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã voltou a mexer com os mercados globais e provocou forte alta em commodities estratégicas. Entre os produtos mais afetados, o combustível de aviação registrou aumento de 95%, seguido pelo enxofre, com alta de 73%, e pelo óleo combustível, que subiu 68%. O petróleo bruto WTI avançou 66%, enquanto o Brent, referência internacional, acumulou elevação de 50%.
A tensão no Oriente Médio preocupa especialmente porque a região tem papel central na oferta mundial de petróleo e gás. Em momentos de instabilidade, o mercado reage rapidamente ao risco de interrupção no fornecimento, o que costuma encarecer não apenas a energia, mas também o transporte e a logística em vários países. O gás natural europeu, por exemplo, já subiu 57% desde o início do conflito.
O impacto também chegou ao setor agrícola. A ureia, insumo fundamental para a produção de fertilizantes, teve alta de 48%, enquanto os fertilizantes em geral subiram 31%. Até o óleo de palma, usado na indústria de alimentos e em biocombustíveis, ficou 20% mais caro, sinalizando que a pressão inflacionária pode atingir diferentes cadeias produtivas.
A Agência Internacional de Energia (IEA) tem alertado, em situações semelhantes, que crises geopolíticas em regiões produtoras costumam ampliar a volatilidade dos preços e gerar efeitos em cascata sobre a economia mundial. Para países importadores, como o Brasil, o reflexo costuma aparecer com atraso, principalmente nos combustíveis, nos alimentos e nos custos de produção.