Fim da escala 6x1 pode encarecer produtos em até 45% a partir de 2027

Aprovação de PEC no Senado beneficia 26,8 milhões de trabalhadores, mas especialistas alertam para pressão sobre custos do comércio em momento de vendas fracas

Fim da escala 6x1 pode encarecer produtos em até 45% a partir de 2027. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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Victor Gomes

A aprovação pela Senado Federal da proposta de emenda à Constituição (PEC) que encerra a jornada de trabalho na escala 6x1, modelo em que o profissional cumpre seis dias de atividade para ter um de descanso atrai olhares para o setor produtivo. Pelo novo texto legal, os empregados passam a ter direito a dois dias de folga semanais após cinco trabalhados, mantendo a mesma remuneração. De acordo com estimativas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a mudança e a fixação da jornada máxima semanal em 40 horas devem alcançar diretamente 26,8 milhões de pessoas em todo o país.

Apesar do ganho social imediato para as famílias, a transição desperta preocupações no setor produtivo. Cálculos de mercado apontam que até 45% dos custos adicionais gerados pela adaptação operacional podem ser repassados para os preços cobrados dos consumidores já em 2027. O grande nó para os comerciantes é que a nova despesa chega em um período de ritmo lento nas vendas. Indicadores recentes mostram alta de apenas 0,1% no comércio varejista, reforçando a cautela da população.

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Segundo Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, esse desempenho modesto comprova que o consumo nacional ainda patina. "As empresas precisam lidar com consumidores mais seletivos, que pesquisam preços, priorizam necessidades e avaliam melhor cada compra. No setor de artigos esportivos, percebemos a importância de oferecer produtos que combinem qualidade, funcionalidade e preços competitivos", afirma o executivo, lembrando que a sobrevivência dos negócios dependerá da recuperação real do poder de compra das famílias.

Do ponto de vista financeiro, analistas avaliam que o repasse de preços não será simples nem uniforme. Com a clientela segurando gastos, muitos lojistas serão obrigados a cortar seus próprios lucros para não perder vendas. "Na minha avaliação, o fim da escala 6x1 pode trazer benefícios sociais, mas sua implementação em um momento de consumo enfraquecido tende a pressionar mais as empresas do que estimular o varejo. Com a demanda ainda limitada, acredito que a maior parte do aumento dos custos será absorvida pelas margens, já que o comércio terá pouco espaço para repassar reajustes aos consumidores", explica Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

O analista chama a atenção para o risco de desequilíbrio entre pequenos e grandes concorrentes. Para ele, negócios de menor porte correm o perigo de diminuir vagas formais, encurtar jornadas de atendimento ou adiar investimentos, abrindo espaço para que grandes redes dominem fatias maiores do mercado. No radar dos investidores, a ordem agora é buscar empresas eficientes e com dívidas sob controle, capazes de suportar o novo desenho trabalhista sem comprometer as operações.