Famílias brasileiras estão mais cautelosas e intenção de consumo recua pelo terceiro mês seguido

Queda em outubro atinge todas as faixas de renda e reflete preocupação com o mercado de trabalho e o orçamento doméstico

Famílias brasileiras estão mais cautelosas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Poder da Capital

O consumidor brasileiro está mais cauteloso na hora de fazer compras. Em outubro, a Intenção de Consumo das Famílias registrou queda de 0,8% na comparação com setembro, marcando o terceiro mês consecutivo de retração. Com o resultado, o índice chegou a 103,6 pontos, o nível mais baixo desde janeiro deste ano. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A redução foi generalizada: todos os fatores avaliados pela pesquisa apresentaram piora no mês. A maior preocupação dos consumidores gira em torno do mercado de trabalho e da capacidade real de compra no momento.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia que o período é positivo para o comércio, mas que o bolso do consumidor poderia estar mais bem preparado do que está, considerando os últimos meses e resultados de outubro. “A proximidade com Dia das Crianças, Black Friday e confraternizações de fim de ano mexe com a mobilização de consumidores em todo o País. Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, avalia. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, complementa Tadros.

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O item que mede o momento ideal para a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos e veículos, foi o que mais sofreu no mês, com queda de 1,8%. Trata-se da terceira retração seguida nessa categoria e a mais expressiva do período recente. Já a avaliação sobre a renda atual teve uma perda menor no mês, de 0,3%, mas já acumula cinco quedas mensais consecutivas, mostrando que o orçamento doméstico segue apertado.

Apesar do recuo nos últimos meses, o quadro geral ainda se mantém melhor do que no ano passado. Na comparação com outubro de 2025, o indicador geral subiu 2,2%. O destaque anual continuou sendo a compra de bens duráveis, que avançou 14,0%. Essa melhora ao longo do ano foi impulsionada pela desaceleração nos preços desses produtos: enquanto a inflação oficial do país acumulava 4,58% em 12 meses até setembro, a inflação dos itens duráveis ficou em apenas 1,12%.

Mesmo com os preços mais controlados, o bolso das famílias começou a pesar mais nas decisões recentes de consumo, freando o ritmo das compras. O movimento de retração foi idêntico em todas as classes sociais. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o índice caiu 0,8%, passando para 101,4 pontos. No grupo com ganhos superiores a dez salários mínimos, o recuo foi exatamente o mesmo, de 0,8%, alcançando 115,4 pontos.