Endividamento das famílias fica estável em outubro e atinge mais de 80% dos lares no país

Dados da CNC apontam que quase metade das dívidas em atraso já passa de três meses e alertam para o aperto no orçamento da classe média

Endividamento das famílias fica estável em outubro e atinge mais de 80% dos lares no país. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Endividamento das famílias fica estável em outubro e atinge mais de 80% dos lares no país. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Victor Gomes

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer ficou praticamente estável em outubro, passando de 81,7% em setembro para 81,6%. Na prática, a variação de apenas 0,1 ponto percentual mantém o endividamento em um nível historicamente alto, atingindo mais de oito em cada dez lares. A inadimplência, que mede o total de famílias com contas atrasadas, também oscilou de 29,6% para 29,3%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a acomodação dos índices não autoriza conclusões prematuras e evidencia a fragilidade do poder de compra da população. “A oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo”, pontua Tadros.

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O levantamento revela que o aperto financeiro continua fazendo parte da rotina dos brasileiros. O tempo médio de atraso para quitar pendências ficou em 65,1 dias, contra 65,3 dias no mês anterior. Apesar do pequeno recuo, a situação ainda é delicada: 48,8% de todos os débitos em aberto já acumulam mais de 90 dias sem pagamento. Além disso, quase um quinto dos lares (19,3%) está com mais da metade de toda a renda do mês comprometida apenas com parcelas e dívidas.

A pesquisa acendeu um sinal de alerta específico para a classe média. No grupo de famílias que recebem entre cinco e dez salários mínimos, o endividamento subiu com força, saltando de 77,9% em setembro para 79,3% em outubro. O aumento foi de 1,4 ponto percentual em apenas um mês.

“A vulnerabilidade da inadimplência gerada pelo endividamento é ainda mais pronunciada entre as famílias de menor poder aquisitivo. O estrato que recebe até três salários mínimos registrou aumento nessa taxa de inadimplência em outubro, subindo para 38,6% (contra 38,5% em setembro). Nesse mesmo segmento mais vulnerável, o percentual de famílias que admitem que não terão condições de quitar seus débitos atrasados fechou o mês em 18,3%”, detalha o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Outro fator que preocupa a entidade é a redução no prazo de parcelamento das compras. Os compromissos parcelados em mais de um ano caíram de 33,8% para 33,4%. Com prazos mais curtos, o valor das prestações mensais fica mais pesado no bolso do consumidor. Esse aperto reduz o espaço para novos gastos, limitando as vendas no comércio e na área de serviços e reforçando o alerta da CNC sobre a urgência de medidas de previsibilidade e alívio de impostos.