Déficit em transações correntes cai pela metade em fevereiro com avanço das exportações

Saldo negativo foi de US$ 5,6 bilhões, influenciado pelo forte superávit comercial

"A resiliência do fluxo cambial é o que tem salvado o Dólar de uma disparada maior". Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
"A resiliência do fluxo cambial é o que tem salvado o Dólar de uma disparada maior". Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
V
Victor Gomes

O déficit nas transações correntes do Brasil diminuiu quase pela metade em fevereiro de 2026, totalizando US$ 5,6 bilhões, frente aos US$ 10,2 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado, de acordo com o Banco Central (BC). A melhora foi impulsionada principalmente pelo expressivo aumento do saldo comercial de bens, que passou de um déficit de US$ 1,1 bilhão para superávit de US$ 3,5 bilhões.

Na análise do assessor da Quattro Investimentos, Leonardo Campos, em sua newsletter Marcação a Mercado, "a resiliência do fluxo cambial é o que tem salvado o Dólar de uma disparada maior", afirma. As exportações de bens somaram US$ 26,4 bilhões, crescimento de 14,8% em relação a fevereiro de 2025, enquanto as importações caíram 5,1%, para US$ 22,9 bilhões. A conta de serviços manteve déficit estável em US$ 3,9 bilhões, com destaque para o aumento das despesas com propriedade intelectual (alta de 46,8%) e viagens internacionais (49,0%).

Na conta de renda primária, o saldo negativo chegou a US$ 5,6 bilhões, ligeiramente acima do ano anterior. As despesas líquidas com juros recuaram 19,8%, para US$ 1,6 bilhão, mas os pagamentos de lucros e dividendos cresceram 13,6%, somando US$ 4,1 bilhões.

Em 12 meses, o déficit em transações correntes caiu para US$ 63,4 bilhões, o equivalente a 2,71% do PIB, frente a 3,67% do PIB registrados no mesmo período de 2025.

Os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 6,8 bilhões em fevereiro, ante US$ 10,0 bilhões um ano antes. Desse valor, US$ 7,5 bilhões vieram de participações no capital — com destaque para US$ 4,4 bilhões de reinvestimento de lucros — enquanto as operações intercompanhia registraram saídas de US$ 698 milhões. No acumulado de 12 meses, o IDP somou US$ 75,9 bilhões (3,24% do PIB).

Já os investimentos em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$ 5,4 bilhões em fevereiro, divididos entre US$ 2,8 bilhões em ações e fundos e US$ 2,6 bilhões em títulos de dívida. No acumulado em 12 meses, esses investimentos ultrapassaram US$ 29 bilhões, revertendo o cenário de saídas observado no mesmo período de 2025.