Desaceleração do PIB acende alerta para empresas e reforça busca por diversificação de investimentos

Com estimativa de crescimento de apenas 1,4% para 2027, especialistas apontam necessidade de cautela no crédito e olhar voltado ao mercado internacional

Desaceleração do PIB acende alerta. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Victor Gomes

O ritmo da atividade econômica no Brasil deve perder fôlego nos próximos anos, exigindo adaptações tanto de investidores quanto do setor produtivo. As recentes revisões projetam uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026 e de 1,4% em 2027. O número previsto para 2027 representa uma queda de cerca de 39% na velocidade de crescimento quando comparado aos 2,3% registrados em 2025. Embora o quadro não configure recessão, a permanência prolongada em taxas modestas traz impactos diretos para o desenvolvimento do país, afetando a geração de empregos, a renda média e a confiança das empresas.

Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, avalia que o momento pede atenção estrutural. “A revisão do Banco Central para 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027 confirma uma economia perdendo força. Não é um cenário de recessão, mas crescer nessa faixa por muito tempo é pouco para o Brasil. A preocupação maior é isso virar uma tendência, porque crescimento baixo acaba limitando investimento, produtividade e aumento de renda”, afirma.

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Segundo Piran Jr., apesar de o mercado de trabalho ainda apresentar relativa força, a perda de tração econômica tende a desacelerar a abertura de vagas e deixar as famílias mais cautelosas nos gastos. No ambiente corporativo, a combinação de consumo contido e juros que ainda pesam no orçamento leva ao adiamento de projetos de expansão e a um filtro maior na concessão de empréstimos.

“No crédito, isso já começa a aparecer com maior seletividade. Empresas com balanços sólidos e boa geração de caixa continuarão tendo acesso e condições melhores. Já as mais alavancadas ou dependentes de refinanciamento devem encontrar mais dificuldade. A queda da Selic ajuda, mas para uma recuperação mais consistente em 2027 será importante que também diminuam o risco fiscal, os juros longos e o custo efetivo do crédito”, complementa o executivo.

Diante desse cenário interno mais tímido e de um contexto internacional de juros altos e disputa global por recursos, a alocação de recursos financeiros também precisa ser revista para evitar a concentração de riscos no mercado doméstico.

Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, destaca que a conjuntura reforça a importância de expandir as fronteiras da carteira. “Esse movimento acontece em um cenário global de transição, com juros ainda elevados em diversas economias, mudanças nas políticas monetárias e maior disputa por capital. Para o investidor, isso significa que depender exclusivamente de um único mercado pode aumentar a exposição aos ciclos locais”, explica.

De acordo com Murad, proteger o patrimônio e buscar rentabilidade consistente exigirá flexibilidade geográfica. “A diversificação internacional ganha relevância justamente por permitir acesso a diferentes economias, moedas e setores. Em períodos de menor crescimento doméstico, uma carteira global pode ampliar as alternativas de investimento e contribuir para uma estratégia de longo prazo mais equilibrada”, conclui o especialista.