Déficit em conta corrente do Brasil sobe para 2,7% do PIB em março, aponta Itaú
Relatório de 24 de abril mostra saldo negativo de US$ 6 bilhões no mês, queda no financiamento externo e projeção de rombo de US$ 66 bilhões no ano
O Brasil registrou déficit em conta corrente de US$ 6 bilhões em março, equivalente a 2,7% do PIB, segundo relatório da equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú Unibanco. O resultado veio melhor que a projeção do banco e da mediana do mercado, mas ainda mostra piora na margem, com pressão maior sobre serviços, rendas e financiamento externo.
No mês, a balança comercial teve superávit de US$ 5,6 bilhões, enquanto a conta de serviços fechou negativa em US$ 4,8 bilhões e a conta de rendas registrou saída de US$ 7,4 bilhões. O destaque negativo ficou para lucros e dividendos, que somaram saída de US$ 4,8 bilhões, abaixo da expectativa do banco.
Em 12 meses, o déficit em conta corrente acumulou US$ 64,3 bilhões, ou 2,7% do PIB, ante US$ 66,7 bilhões e 3,1% do PIB no fechamento de 2025. Já o investimento direto no país (IDP) continuou positivo, com entrada de US$ 6 bilhões em março e acumulo de US$ 75,7 bilhões em 12 meses, o equivalente a 3,2% do PIB.
Na avaliação do Itaú, a piora recente reflete a desaceleração do saldo comercial, o aumento do déficit de serviços e a menor entrada de capitais estrangeiros em FDI e portfólio. O banco projeta déficit em conta corrente de US$ 66 bilhões em 2026, ou 2,6% do PIB, com a balança comercial compensando parcialmente a pressão sobre serviços e rendas.