Copom deve interromper cortes e manter taxa Selic em 13,75%, prevê Banco Daycoval
Piora nas projeções de inflação e incertezas nos cenários interno e externo motivam expectativa de cautela por parte do Banco Central
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira o rumo dos juros básicos da economia brasileira. Para o Banco Daycoval, a autoridade monetária deve interromper a sequência de reduções e manter a taxa Selic no patamar de 13,75% ao ano, adotando uma postura de vigilância e mantendo alternativas em aberto diante de um quadro de incertezas.
A instituição financeira revisou sua projeção inicial, que indicava um novo corte, após observar uma deterioração relevante nas expectativas de inflação do mercado, em especial para prazos mais longos, como 2028 e 2029. De acordo com os cálculos do banco, a estimativa de inflação para o segundo trimestre de 2028, período que serve de referência central para as decisões atuais do Banco Central, deve subir de 3,1% para 3,3%, situando-se acima da meta oficial de 3%.
Apesar do desaquecimento na atividade econômica, fator que costuma aliviar os preços, prevaleceram os motivos para cautela. No cenário internacional, pesam a possibilidade de nova alta nas taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve e a instabilidade nas cotações do petróleo. No ambiente doméstico, a recente alta do dólar, a piora das previsões após as eleições e o risco de impacto do fenômeno climático El Niño sobre os preços dos alimentos reforçam o alerta.
Diante desses fatores, o Banco Daycoval estima que o Banco Central manterá um discurso de serenidade e cautela. A retomada dos cortes de juros deve acontecer apenas a partir de 2027, dependendo do alívio dessas pressões, com destaque para a evolução das contas públicas do país.
