Copom alerta que demanda segue como principal desafio para a economia nacional

Ata do Comitê afasta ideia de aumentos na taxa Selic

Ata do Comitê afasta ideia de aumentos na taxa Selic. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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Victor Gomes

O ambiente externo ganhou incerteza com conflitos geopolíticos no Oriente Médio, elevando a volatilidade de ativos e commodities, o que exige cautela para países emergentes, de acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (24). 

No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou no fim de 2025, com moderação na demanda agregada, mas o mercado de trabalho permanece resiliente, com desemprego baixo e rendimentos reais em alta, segundo o Copom. 

O Copom alerta que demanda segue como principal desafio para a economia nacional. "O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta. A desaceleração do PIB no final de 2025, mais acentuada em seus componentes cíclicos, tornou evidentes os efeitos defasados do período prolongado de política monetária restritiva", ressalta a ata.

O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, avalia que setores ligados a crédito já dão sinais mais claros de desaceleração. "A demanda segue sendo o desafio para desacelerar a atividade, pois inflação de serviços ainda vem resiliente por conta do mercado de trabalho, que dá sinais de desaceleração, mas são sinais ainda timidos", comenta.

Selic
Segundo o Copom, a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, inicia o ciclo de calibração restritivo para convergir a inflação à meta. Projeções no cenário de referência indicam IPCA em 3,9% para 2026 e 3,3% no terceiro trimestre de 2027.

Análise do Itaú aponta para um corte maior na reunião de abril, o que levaria a Selic para 14,25% e ao final de 2026, uma taxa de 12,25% ao ano.