Consumo essencial na Bolsa: as redes de supermercados e farmácias como escudos anticrise
Empresas que vendem alimentos e medicamentos mantêm o fluxo de clientes mesmo quando a inflação aperta o bolso do consumidor
Esta publicação não é uma recomendação de investimentos
Em períodos marcados por incertezas na macroeconomia, desemprego flutuante ou aperto nas condições de crédito, o comportamento natural das famílias brasileiras é promover um corte imediato em gastos supérfluos: viagens de férias são canceladas, a troca do veículo automotor é postergada para o ano seguinte e as idas frequentes a restaurantes são reduzidas drasticamente. Contudo, a compra de itens alimentícios básicos no supermercado e a aquisição de medicamentos essenciais na farmácia da esquina permanecem intocáveis como prioridades máximas do orçamento familiar.
É exatamente essa premissa básica e comportamental que transforma as empresas focadas no segmento de consumo básico e saúde em ativos estratégicos e verdadeiros escudos anticrise dentro de uma carteira de investimentos defensiva na Bolsa. Grandes redes de varejo alimentar, companhias de atacarejo e megagrupos de farmácias listados na B3 operam com volumes comerciais gigantescos e possuem um fortíssimo poder de barganha junto aos seus parceiros fornecedores industriais.
Esse posicionamento de mercado permite que essas companhias realizem o repasse parcial ou total da inflação de custos para os preços finais dos produtos nas gôndolas sem que isso resulte no afastamento do consumidor final. Embora as margens de lucro líquido desses setores de varejo essencial sejam historicamente estreitas e exijam controles operacionais rígidos, o giro extremamente rápido das mercadorias em estoque e a constância inabalável do faturamento bruto garantem uma geração de caixa previsível e saudável. Incluir essas companhias no portfólio confere ao patrimônio do investidor um amortecedor natural contra as oscilações violentas e imprevisíveis do Produto Interno Bruto (PIB).