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Construção recua 0,4% no segundo trimestre, mas cresce 1,1% no semestre

PIB do setor sente os efeitos dos juros elevados por um período prolongado

Construção recua 0,4% no segundo trimestre, mas cresce 1,1% no semestre. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Construção recua 0,4% no segundo trimestre, mas cresce 1,1% no semestre. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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Ao contrário do Produto Interno Bruto (PIB) que brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor da construção, por sua vez, registrou retração de 0,4%. Desde o primeiro trimestre de 2022, quando a taxa básica de juros voltou ao patamar de dois dígitos, o custo do crédito aparece entre os três principais problemas apontados pelos empresários da construção.

Para a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, o desempenho reflete a perda de dinamismo já percebida pelo setor e um ambiente econômico mais adverso do que o esperado no início do ano. “Começamos 2026 com uma expectativa mais positiva para a trajetória dos juros. A partir do fim de fevereiro, com o início dos conflitos no Oriente Médio, esse cenário começou a mudar. A perspectiva passou a ser de uma redução menor do que a esperada inicialmente, o que aumentou a cautela dos empresários e se refletiu no desempenho da construção”, afirma Ieda.

A economista destaca que o recuo ocorre após um primeiro trimestre mais forte. Também é preciso considerar a perda de dinamismo das pequenas obras e reformas, que integram o cálculo do PIB da construção. Nesse segmento, a redução do consumo das famílias, diante do maior endividamento e do crédito mais caro, contribui para a desaceleração.

“O resultado do segundo trimestre preocupa, sobretudo pelos possíveis reflexos nas decisões de novos investimentos. Começamos o ano com perspectivas melhores e hoje o empresário trabalha com um ambiente econômico mais desafiador para o segundo semestre e para 2027”, destaca.

Mesmo diante desse cenário, a CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026.